Showing posts with label brasil. Show all posts
Showing posts with label brasil. Show all posts

Thursday, December 16

I'll see you soon!

Ai, gente. Sei lá. O Uploading Memories começou com as regras da imigração irlandesa e por ali foi, desenvolvendo-se aos poucos, com temas relacionados à minha tão bela morada na linda Dublin. Depois que voltei de vez ao Brasil, em outubro de 2009, as coisas desandaram (aqui no blog) e me parece que toda vez que tento reerguê-lo, estrago um pouquinho daquilo que já foi tão inspirador e tão verdadeiro.

Não me parece justo continuar com esse sentimento de culpa, nem continuar num espaço que, pra mim, é sagrado e belo e eterno. Prefiro começar algo novo - aproveitar aí a chegada de 2011 - e ver no que dá ao invés de arriscar aqui e depois partir, deixando este espaço que tanto amo todo rabiscado. Acho melhor fechar as portas e encerrar essa fase. Né?

(Quais são as chances de um dia isso tudo desaparecer? Melhor mesmo eu salvar tudo isso comigo e não confiar tanto no Blogspot pra manter guardado um conteúdo pra mim tão importante.) Enquanto faço isso, quero deixar aqui um outro endereço. Minha 'casa nova', onde um dia passarei a habitar e criar com base nas experiências brasileiras.

Anotem aí, deem uma olhadinha de vez em quando, pois posso surpreendê-los com algum post de estreia, que sinto que vem por aí.

www.featuringjana.wordpress.com




Friday, October 22

Home is where your heart is!

Cara, como é BOM ter o próprio canto. Não que meu canto seja próprio - é alugado - mas vocês entenderam. A carinhosamente apelidada 'caixa de fósforos' é bem menor que a casa da sogra, tem bem menos isolação sonora, me faz gastar muito mais do meu orçamento e ter que controlar freneticamente os centavos ganhos. Por outro lado, é onde eu tive a liberdade de personalizar e colocar ali apenas o que eu queria. Meu cheiro, minhas cores, minha organização, minhas neuras. E isso é que vale.

Já escutei o vizinho de baixo transando com uma escandalosa, escutei vizinho batendo janela, escutei vizinho recebendo visita, escutei cãozinho de estimação latindo, precisei de uma dose extra de paciência pra conseguir tirar o carro da garagem apertada. Mas é um lugar que eu aprendi a amar. Há menos de duas semanas me mudei e trouxe só o essencial (namorado included!) e toda vez que entro lá, que destranco a porta, que piso lá dentro, é tão... mágico! Tudo me agrada, tudo me faz sentir bem, a cama me agarra como se nunca fosse me deixar sair, as cores me animam, o chuveiro me chama, me chama, me chama.

Delícia!

Aí, pra atualizar o que ocorreu nos últimos dias, que não tem nada a ver com o fato de eu estar in-love pela 'caixa de fósforos'.

. ontem soube que perdi meu padrinho, a quem carinhosamente chamávamos de Chico (ou Chicão). Soube tarde, não consegui comparecer ao velório / enterro - que era em outra cidade. O que fiz questão de fazer no meu horário de almoço foi ir até um lugar calmo (a Catedral, embora eu não seja religiosa in any way). Apesar de chegar lá e perceber que uma missa estava em andamento, fiz o que pude para me concentrar e mandar a ele muita luz e muito amor. Também pedi desculpas por não tê-lo visto com mais frequência.

. assisti aos dois filmes no cinema: 'Tropa de Elite 2' e 'Comer, Rezar, Amar'. Fui surpreendida por ambos. Bom, na verdade o da Julia Roberts não me surpreendeu, pois eu sabia que me cativaria por dois motivos óbvios. 1) li o livro e amei; 2) o fato de ter Julia Roberts no elenco já é ponto positivo pra mim. Sobre o 'Tropa', confesso que ODEIO as partes de tortura e violência no geral, mas que os caras criticaram abertamente o governo, a política, Brasília, as milícias e o povo em geral - isso foi de tirar o chapéu e aplaudir em pé.

. ainda não comentei com vocês que neste um ano de volta ao Brasil conquistei 10 amigas, né?! Preciso voltar e descrever o fato com calma. Mas é bom demais!

. mas um fim de semana chegando. Gente, os dias encurtaram?

. dislexia simplesmente aparece?


Monday, October 11

Mudanças, mudanças


Cara, hoje estou genuinamente feliz. Depois de um ano morando sob o teto de sogro e sogra, nos mudamos no fim de semana, pra um cantinho só nosso. Tudo bemmm menor, gastaremos mais, é mais responsa, mais incomodação, mais preguiça de fazer as coisas, mas é tão... nosso! Entrar no cantinho que escolhi pra gente foi mágico e, apesar de ainda não ter curtido bem o espaço, sinto uma felicidade imensa quando entro lá. Fica localizado estrategicamente, me dá uma liberdade enorme de ir a pé pra vários lugares [adoro andar!], é quieto, seguro, tem ótima vibe... não vejo a hora de levar os mais chegados lá, pra dividir essa alegria comigo.

Depois de tanto trabalho pra finalizar o processo de aluguel, o fato de estar lá é mais que uma vitória. Foram quase dois meses de lenga-lenga até que conseguíssemos deixar tudo a-okay e efetivamente mudar. Hoje, talvez por ser véspera de feriado, estou com uma preguiça enooorrrmmmeee de contar tudo o que incomodou nessas últimas semanas. Mas ah, agora tá esquecido.

O sol por aqui começa a aparecer com mais frequência, embora o calor ainda não tenha vindo pra ficar. No sábado rola show do The Cranberries aqui. Quero muito ir, não apenas por gostar deles, mas por trazerem pra cá um pouquinho da Irlanda. Alguém aí sabe onde encontro uma bandeira irlandesa por Floripa? Seria de bom tom levar um pra abanar no show :)

O domingo foi maravilhoso. Começou com praia, com a bela companhia da Rê, do Rê e do meu Vi. Depois de um almocinho gostoso lá pela Barra e de um banho relaxante, os meninos se encontraram para assistir a final do vôlei masculino e Rê e eu partimos pra casa da Rita – aniversário da Sofia. A noite terminou com papos inteligentes, profundos e sinceros. Adoro isso!

Também foi nossa primeira noite no apê. Ai, que sentimento gostoso!

Wednesday, October 6

Ah, é?!

Gente, no fim de semana passado (02/10) fez um ano que voltei pra terrinha. Venho tentando me inspirar pra continuar com o blog, mas tá difícil, viu?! Tenho a impressão de que isso daqui se tornará um muro das lamentações, um poço de mau-humor ou um dicionário de xingamentos.

Mesmo assim, talvez eu deva tentar – sem muito medo. Afinal, é um cantinho meu. Talvez também essa ‘preguiça’ seja resultado do meu ingresso no mundo de tuiteiros. Não quero que meus posts se resumam a um máximo de 140 caracteres, mas que ficou mais difícil desenvolver uma ideia... ah, se ficou!

De qualquer forma, vamos aos poucos tentando retomar a coisa. Prometo visitas aos blogs favoritos e comentários para divulgar a minha ‘ressureição’. Hoje o dia está lindo por aqui. E na morada de vocês?

Ó, quero ver se logo escrevo sobre o dilema de alugar um apê por aqui. Vocês vão rir. Eu, vou rir pra não chorar.

Monday, November 16

Rabugentinha

Estou em falta, eu sei. Mas é que... sei lá. Entende?

Quando chego em casa, a última coisa que quero é me plantar novamente em frente ao computador. Trabalho o dia todo olhando pra tela, que muitas vezes nada me diz. Outras tantas, repete apenas o que já sei. Às vezes dou preferência à televisão, que também não me oferece nada de novo.

Prefiro, então, me atracar nos livros. Pra não parar mais. Ultimamente não tenho nem mesmo prestado atenção ao tipo de leitura que escolho pra mim. É fase. Deve ser. Mas nesses tempos, se me vierem com livros inteligentes, provavelmente passarei os olhos pelas páginas sem atenção alguma. Tenho lido muito. Muitas besteiras. Muitas linhas que me fazem rir e esquecer um pouquinho da rotina, que já me encontrou pelas bandas daqui.

Ainda me sinto perdida, mas não me peçam pra ler os jornais. Leio, mas às vezes não aguento com tanta violência, tanta mesmice, tanta coisa que me faz arrancar os cabelos de raiva. Raiva por algumas situações estarem tão avançadas, que não nos permitem acreditar que um dia tudo pode mudar pra melhor.

Nesses tempos de Brasil, me sinto só e incompreendida. Não me encaixo em nada, com ninguém. Acho tudo sem graça, tudo caro, tudo bobo, tudo chato, tudo imprestável, todo o oposto de mim. Não vou repetir o mesmo discurso de sempre, não quero ser comparada aos noticiários, que mostram sempre a mesma babaquice.

Como já disse aqui no blog, 'preciso trabalhar em mim'. Sei que é questão de tempo e paciência. Mas no momento, até as chuvas noturnas me irritam. Será que não pode haver chuva sem trovejar? Morro de medo dos trovões, como vocês já sabem. Será que o sol nunca aparece sem com ele trazer esse calor que nos tira o foco?

Será que algum dia vou parar de sentir saudades de Dublin? Das amizades de lá? Da minha rotina de lá? Será que algum dia vou deixar de ser rabugenta por aqui? Em Dublin via tudo com olhos maravilhados. Nunca reclamava. Aqui me tornei algo que não gosto de ser, algo que julgo nos outros, algo que não deveria: sou birrenta. Sou chata, reclamo mesmo sem motivo, choro quase todos os dias, sou manteiga derretida e minha força toda parece que não entrou comigo no voo de outubro.

Eu sou boazinha. E quero ser boazinha em todos os lugares. Mas também quero ser feliz em todos os lugares. Espero um dia estar realizada em todos os sentidos, não apenas no quesito:
( x )estar próxima de meus familiares.




Crédito da Imagem.

Friday, October 23

Estranhezas brasileiras

Ai, eu seeeeei.
Demorei pra vir e confesso que morro de saudades de me manter propriamente atualizada nos blogs de cada um de vocês, mas a situação ultimamente não me permite tal luxo. A correria aqui continua e fica ainda pior quando a elemente aqui já tem um emprego e insiste em correr atrás de outro mesmo assim.

De qualquer forma, esmaguei meus compromissos pra poder aparecer por aqui e registrar alguns momentos dos últimos dias. Acredito que o pessoal que passou um tempo fora e retornou ao Brasil deve sentir mais ou menos como eu esses dias.


Não tem como ignorar as seguintes estranhezas:

. os preços das coisas no Brasil
Genteee, o que é isso? Sempre foi assim e eu mudei meus conceitos ou ficou caro desse jeito enquanto eu estava fora? Achar um xarope pra tosse barato quando o mesmo custa 10 reais é absurdo pra mim. Em Dublin, uma das cidades mais caras da Europa, um xarope custa menos de 3 euros. Mesmo convertendo, no Brasil ainda é caro.

. o povo falando português
Ainda acho estranho escutar nossa língua o tempo inteiro. Às vezes estou num restaurante ou na rua e QUASE chego a comentar: "olha, um brasileiro!" Duh.

. um estabelecimento que abre às 10h e fecha aos sábados ao meio-dia
O povo que trabalha a semana inteira faz compras quando? Na hora do almoço? Tem que pedir folga e usar o banco de horas?

. as filas pra TUDO
Por favor, até na farmácia tem fila! Pra entrar no shopping, pra comprar calzone, pra usar o orelhão, pra chegar em casa, pra comprar pão, pra apostar na mega-sena, pra pagar conta, pra reclamar do produto com defeito, pra dar parabéns pra alguém, pra cumprimentar a noiva, pra estacionar, pra abastecer... sem falar nos bancos.

. por falar em bancos... as GREVES
Acho que a gente adora greve. Não tá feliz, sai. Procura outra coisa. Faz um esquema pra receber seguro desemprego e vaza. Tanta gente querendo trabalhar e o povo fazendo doce. Por favor!

. a nova reforma ortográfica
Sei que isso é passado já, mas eu tô sentindo os efeitos colaterais só agora. Trema... cadê? Hífen... cadê? Dobrar consoantes, não acentuar 'ideia'. Tudo muito estranho pra mim.

. estar por fora de tudo
Tem tanta coisa diferente que dia me sinto a velha que não se atualiza, dia me sinto a que veio do Nordeste pra Santa Catarina. As coisas realmente mudam bastante. A gente é que não vê. Tô penando pra me atualizar em relação à praticamente tudo. Juliana do BBB? Quem é essa? Revista Kzuka? Os 80 anos da Fernanda Montenegro? Gugu na Record? Ratinho onde mesmo? Profissão Repórter? Ai...

. a violência
Mas isso sempre me impressionou demais.






Crédito da Imagem.

Tuesday, October 6

Vida musical

Gente, eu tenho problemas. Problemas sérios. Coloquei meus pés de volta na terrinha há quatro dias. Todo mundo que retorna, ainda mais depois de alguns anos fora, gosta de ficar de férias e curtir a família antes de se empolgar pra conseguir um emprego e encarar a vida (sur)real.

Eu não.

Como disse: problemática. Algo não bate bem, faltou preguiça quando meus pais me fabricaram, ou sobrou agitação e ansiedade. Não sei bem, mas algo tem de muito estranho comigo. No meu segundo dia ainda estava imaginando se isso tudo é mesmo real, se eu viajei mesmo da Irlanda pra cá, se meu vôo atrasou em Guarulhos, se fiz mesmo a surpresa pros meus pais. No terceiro dia em terras brasileiras, já estava procurando o que fazer.

Por onde começar? Com quem falar? Quais os contatos quentes do jornalismo florianopolitano? Meu currículo tá legal? Será que envio tudo isso por email ou arrisco os correios?

E a greve dos bancos, minha gente? Me desacostumei com isso tudo. E o preço de uma meia-calça? Quase caí pra trás quando a atendente cobrou mais de DEZESSETE reais da minha irmã por uma meia-calça simplona, cor-da-pele, nada-demais.

Fui presenteada com um tempinho nublado, muito obrigada! Nem precisa me conhecer muito pra saber que o calor não me agrada. Hoje já fui meio grossa com minha mãe por ela ter me feito uma pergunta e ter me interrompido enquanto eu respondia a mesma. Hoje já vi meus pais e minha irmã discutirem por coisas simples. E também me irritei com uns trejeitos de alguém.

Aqui tá tudo mesmo igual. Após três anos e meio... tudo igual. Umas rugas a mais em alguns, uns fios de cabelo branco em outros, umas barriguinhas salientes, algumas amigas grávidas, outras na mesma, outras das quais não me lembro mais o nome. Mas igual.

Fiquei, portanto, com um sentimento estranho em relação a um recomeço. E todas aquelas perguntas começaram a me assombrar novamente. Como vai ser? E o emprego? O salário? Meu relacionamento com meus pais, com os pais do Vi, com meus amigos. E as novas amizades? Minhas dívidas? Um carro?

Esse sentimento estranho que me faz escutar cada música e prestar atenção na letra e me emocionar talvez sem motivo. Será o Brasil mais dramático? Quais os motivos por me sentir dessa maneira? Serão os sentimentos ainda à flor da pele? Vai passar? Será saudade? Será alegria por estar rodeada de pessoas que me amam e querem bem? Será nostalgia? Será decepção, tristeza, incompreensão?

O que será, afinal? Será o Português que me deixa assim, sem saber me expressar direito? Não sei bem. Espero logo vir e ter respostas para todos os questionamentos, mesmo os mais bobos.

A vontade de chorar é constante. Se por alegria ou preocupação, não sei. Benditas letras das músicas que dizem exatamente o que sentimos, e benditas as melodias que nos tocam lá no fundo.







Crédito da Imagem.


Saturday, October 3

Ate' nisso a Irlanda foi perfeita.
Me permitiu partir sem lagrimas... sem que eu tivesse que me explicar.

Friday, September 25

Ultimos dias

Falta menos de uma semana pro retorno ao Brasil. A viagem dos ultimos dias me deixou mais otimista e confiante e, se tudo correr bem, devo continuar com esse sentimento pulsando o tempo inteiro.

A viagem foi otima por diversos motivos, mas acredito que o mais marcante deles foi o fato de perceber que, mesmo quando estamos longe, a vida de todo mundo continua. Antes de ir, talvez por pensar demais no assunto, minha rotina estava o maior dramalhao mexicano. Era pensar na minha volta, que meu coracao acelerava, momentos nostalgicos surgiam e ate um pouco de pessimismo invadia meu coracao.

As tres semanas fora da Irlanda serviram pra que eu percebesse que, se nao fosse eu indo embora agora, seriam outros. E mesmo assim eu teria que dizer adeus, sentir falta dos amigos que fiz e tentar me acostumar com a ausencia deles. Mesmo ficando, teria que me adaptar com a falta de pessoas queridas e teria que encarar novamente o vento incessante do inverno daqui, e teria que conviver com brasileiros que chegam diariamente, mas que nao fazem parte do meu circulo social, teria que me virar nos 30 pra turbinar a rotina e nao cair no tedio.

Os 21 dias pros lados do Leste Europeu me ajudaram dessa forma. Me mostraram que a vida e', sim, um ciclo. E que a gente precisa rodar com isso tudo, pra nao parar no tempo. Minha hora de retornar chegou, depois de tres anos e meio. Nao tenho duvidas de que sentirei uma falta danada de diversas coisas dessa terra fria que aprendi a amar. Marquei a despedida pra sabado, e sei que lagrimas cairao do meu rosto, mesmo que eu tente nao fazer com que os outros percebam. Mas ainda terei alguns dias da proxima semana pra curtir os amigos mais chegados, pra tirar mais algumas fotos, ir a alguns teatros, ser um pouco turista e me despedir com calma dessa terra dona de pessoas alegres e compreensivas.

Ate' minha partida, farei tudo o que desejo. Visitarei aqueles que nao vejo ha' tempos, andarei pela cidade sem rumo e sem tempo pra voltar pra casa, jantarei com amigos dos quais sei que sentirei falta na minha rotina, irei a pecas teatrais, tomarei pints de Guinness e deixarei que a Irlanda tome conta de mim pela ultima vez, pois quero guardar comigo esse sentimento indescritivel pra sempre. Quero transformar tudo isso em fe' e esperanca, pra que tudo o que de certo aqui, continue dando certo no Brasil ou sabe-se la' pra onde o destino me levar no futuro proximo.






Credito da Imagem.



Monday, July 20

Passado de perguntas - Parte 1

Antes de vir pra Dublin, ainda em fevereiro de 2006 [parece mil anos atras!], fiz um post nesse mesmo blog com algumas perguntas que, na epoca, nao queriam calar :) Achei digno voltar aqui pra responde-las e, ao mesmo tempo, perceber o quanto tudo mudou e o quanto cresci durante esses mais de tres anos na Irlanda.


A primeira parte de todo o questionamento esta' logo abaixo. A segunda leva de perguntas vira' num proximo post. Peco aos 'telespectadores' para que enviem perguntas caso as tenham, e farei o possivel pra tirar as duvidas de forma simples e sem enrolacao.


Entao, laaaaaaa no inicio de 2006 fiz os seguintes questionamentos [respostas seguem abaixo]:


1. O que faremos durante as sete horas de espera no aeroporto?
Nada! Gente, ficar trancada em aeroportos, esperando a conexao, e' um SACO! Tento me manter ocupada o maximo possivel, mas nem sempre a gente tem disposicao, vontade ou ideias suficientes pra preencher tantas horas num banco de aeroporto. Dicas de quem ja' tomou alguns chas-de-cadeira: leve um livro interessante e que te distraia facilmente; ter companhia ajuda no papo e nas reclamacoes geradas pelo mau-humor; tome o cafe' mais demorado da sua vida; e a melhor de todas: caso esteja numa cidade onde morem conhecidos, amigos, parentes, por que nao marcar um encontro no proprio aeroporto pra matar tempo, saudade e novidades?


2. Como será o primeiro contato com a família?
Hoje em dia acho que quase ninguem mais vem do Brasil pra ficar em casa de familia, pois muitos ja' tem conhecidos, parentes ou amigos que moram aqui ha' algum tempo e podem ceder um cantinho da casa durante os primeiros dias. Na epoca em que vim, porem, vim com uma mao na frente e outra atras. Precisei dedicar parte do orcamento pra ficar na host-family, que incluia casa, comida e roupa lavada durante as primeiras duas semanas na terra fria. Sem gozacao: uma das melhores experiencias por aqui! Minha host-mother era um AMOR. Me apaixonei pelo jeito fofo dela e, perguntem pro Vi, chorei quando precisei me mudar. Se pudesse, ficaria por la' ate' hoje. Claro que cada um tem um experiencia diferente, de acordo com a familia que lhe e' sorteada. Mas a Adrienne [minha host-mom] foi perfeita. Sinto saudades ate' hoje!


3. Temos que levar roupas de cama, toalhas e edredons? Porque, honestamente, ocupam um espaço fenomenal na mala e, nesse caso, qualquer milímetro é válido.
Naaaaaoooo! Troxemos toalha de banho e rosto, mas nem isso precisava. Aqui e' facil encontrar lojas barateiras pra comprar tudo isso. A gente vem sempre com a ideia de economizar, entao o que puder trazer na mala, e' lucro. Mas nao necessario :)


4. Lavar roupa lá... só na lavanderia?
Naooooo. Nossa, que ideia eu tinha de Dublin? Aqui a maioria das casas que a gente acha pra alugar ja' estao todas mobiliadas. Muitas delas ja' tem ate' televisao, microondas e todos esses apetrechos que tornam a vida da gente mais confortavel. Maquina de lavar fica na cozinha, viu gente? Nao tem area de servico nas casas nao... mas tem a bendita maquina, e ela e' igual no mundo todo.


5. Por que não tem nenhum banco brasileiro em Dublin?
Simples: porque a gente nao precisa deles.


6. Como eu faço pra enviar o dinheiro pro Brasil se não há operações legais disponíveis?
Aqui em Dublin existe uma empresa chamada Brasil4All, que faz milhares de coisas pra facilitar a vida dos brasileiros. Com eles, pode-se enviar dinheiro direto pra sua conta no Brasil, com taxa de €5 independente do valor enviado. Ha' tambem outras opcoes mais... digamos... 'legais', mas sao mais caras e demoram mais tempo pra chegar. Sem contar que nao chegam direto na sua conta e ha' uma taxa pra retirar o valor enviado do banco determinado por eles e passar pra sua conta pessoal. Um rolo so'!


7. Será que eu nunca mais vou usar sandália na vida? (As mulheres me entendem, tenho certeza >> 1º O frio 2º O fato de ter que andar pra cima e pra baixo o dia inteiro).
Nao, voce nunca mais vai usar sandalia na vida hahahaha Nao devido ao frio, porque aqui faz calor tambem e eu uso sapatinhos baixos, tipo Melissa, o tempo todo! Sandalias altas, so' mesmo pra sair 'a noite e olhe la'! Eu particularmente abandonei as minhas todas e confesso que nao sinto falta alguma. O pessoal aqui nao tem frescura e ninguem te olha, independente do seu estilo. O pessoal vai pro pub de All-Star, sapatinho baixo e ate' Havaianas [super bem conceituadas por aqui, alias!].


8. Será que quando voltarmos tudo vai estar muito diferente?

Essa pergunta terei que responder so' no final do ano. Prometo voltar assim que conseguir formular minha resposta :)


9. Quem vai sempre lembrar da gente e quem vai nos esquecer 10 dias depois do embarque? Porque tem muita gente que perde contato e esquece, certo?
Certo. Mas quando coloquei meus pes aqui, fiz questao de manter contato com as pessoas mais importantes da minha vida e nao foi a distancia ou o custo das ligacoes interurbanas que nos afastaram. Pelo contrario, sua familia e seus amigos verdadeiros nao te esquecerao nunca! E' uma delicia perceber o quanto me aproximei de alguns amigos depois que me mudei pra ca'.


10. Com o que será que vamos trabalhar por lá?
Vixi, lonnnnnga resposta. Isso depende da sorte e da forca de vontade de cada um. Desde o inicio, tive empregos gostosos e convivi com pessoas incriveis.








Credito da Imagem.


Thursday, June 18

Ah, a inocencia...

Sinto que ontem a ficha comecou a cair. Em outubro irei embora e meu coracao aperta um pouquinho mais toda vez que releio esta frase. Me chamem de drama-queen, de exagerada, de anti-patriota. Me chamem do que for, mas saibam que nao e' nada disso. E' que... criei uma coisa por Dublin que nao se explica direito. Vi aqui um outro mundo. Nao perfeito, nao ha' perfeicao em lugar algum. Ha' sempre uma falha, algo que poderia ser diferente, a falta de alguem que faz a saudade apertar. Mas vivi aqui uma coisa inexplicavel. Sinto paixao tamanha por esse lugar, coisa que jamais senti em localidade alguma. A vontade agora e' de fazer tudo o que ainda nao fiz - ainda que saiba que e' impossivel querer o todo.


Sempre tive medo da mudanca brusca na minha rotina. Meu medo e' esse. Nao e' da saudade, que sentirei pra sempre. E' o medo da readaptacao. Nao quero fazer do meu pais um bicho de sete cabecas. Nao quero transformar o clima quente em temperatura insuportavel, nem o fato da violencia estar presente em receio constante, ate' quando saio pra comprar um pao na padaria da esquina. Tambem nao quero reclamar de salario, sem tocar no assunto da corrupcao. Por um lado, perdi as esperancas em alguns topicos brasileiros. Mas ah, sabe o que eu quero? Unir os dois. Eu seeeei que e' impossivel e sei que a gente nao pode querer tudo. Sabe aquela historia de quando dao a mao, queremos o braco? Eu nao sou assim, mas dessa vez quero tudo. Nao e' errado. Acho.


Quero pra mim, pros meus filhos e pras pessoas queridas, um mundinho perfeito. Gostaria muito que a ideia da perfeicao pra cada um de nos nao fosse apenas um pensamento que visita nossa mente vez ou outra. Gostaria muito poder te oferecer uma casinha na beira da praia, sem alarme e sem tranca na porta. Ah, e uns vizinhos divertidos - mas pacificos e que te deixassem dormir a noite, apos uma tarde regada a canto e violao e conversas variadas. Queria tambem poder criar uma cidade cosmopolita, com opcoes de lazer pra todos os gostos, mas sem a poluicao visual e o barulho todo gerado pelos meios de transporte. Gostaria apenas de ouvir berros de alegria, lagrimas de satisfacao, entradas em salas de emergencia devidas somente ao nascimento de um filho, um neto, a filha de um amigo. E que a gente pudesse se vestir como bem entender, sem a opcao de roupas de marca, status ou julgamentos alheios. Gostaria que os membros da mesma familia sempre jantassem juntos e comentassem o dia que passou, e que as criancas nao fossem tao mimadas, e que nao tivessemos que nos preocupar com o futuro dos nossos filhos devido 'a falta de agua, violencia, corrupcao, saude e educacao.


Por que voce [ainda] nao recicla? Por que nao tenta ver a vida um pouquinho mais colorida? Por que queremos tanto e, ao mesmo tempo, tao pouco? Chega de coisas materiais, da busca por popularidade no colegio, da competicao por notas maiores, da cobranca por um filho perfeito. Que tal irmos mais ao teatro ao inves de gastar o dinheiro com coisas mesquinhas? Que tal apreciarmos as coisas que ja' conquistamos, os show ao ar livre, os livros nas prateleiras?


Apos ter vivido por aqui, vejo o quanto eu dou valor 'as pequenas coisas. Quero carregar isso comigo e nao deixar que o clima que nao considero ideal me deixe nervosa [sim, eu prefiro o inverno!]. Mas que se cuidem os que me olharem de cima a baixo devido 'as roupas que escolhi vestir naquele dia ou o nojento que me cantar na rua. E ai de quem olhar torto porque gastei dinheiro numa atividade que me fez bem ao inves de economizar pro futuro incerto.


Sim, eu quero tudo. E sei que e' pedir muito. Mas ah, da' um desconto. Eu to voltando, mudando a minha rotina e, querendo ou nao, deixando algumas coisas muito valiosas por aqui. Coisas as quais me fizeram feliz, oportunidades que jamais esquecerei e pessoas que tornaram-se mais do que os mais-mais das bandas dai'. Da' um desconto, vai? Ja' ja' eu chego e estou feliz por querer tentar me adaptar novamente em terras brasileiras. Vou com a cabeca erguida e o coracao cheio de esperanca, o corpo cheio de vontade, a mente cheia de ideias. Mas nao espere que eu chegue com o coracao tranquilo.


Como sempre, di-vi-di-da.







Credito da Imagem.

Wednesday, May 27

Um prato que se come quente

A pergunta que nao quer calar: Tem porridge no Brasil?


Se sim,

a) qual o nome em portugues?
b) e' facil de achar?
c) por acaso seria o bom mingau que a gente come quando criancas?


Nao, porque assim... porridge aqui e' uma coisa deliciosaaaa que o pessoal costuma comer no cafe' da manha. Tem diversos produtores, logicamente. Tem a versao organica, tem as "jumbo" oats - que sao os graos maiores, tem varias coisas. Sao oat [que e' o que no Brasil???] grains que vem num pacote como esse da foto - que, por sinal, e' o de minha preferencia. Um pacote de um quilo custa menos de dois euros. E' muito barato, muito gostoso e muito nutritivo.


Voce coloca um pouco dos graos - tipo uma aveia [ahhh, sera' que oat e' aveia? vou pesquisar...*] - num pote, adiciona leite ou agua a gosto e coloca no microondas por uns dois minutos. Ta' pronto! Fica tipo um mingau mesmo, a gente come quente, e temos tambem a opcao de incrementar com mel, acucar, canela, frutas ou o queder na telha. Tem gente que faz com agua e nao coloca nada [mas ele e' um pouco estranho se voce comer sem algo doce junto...], tem gente que adoca com mel, tem gente que usa aquelas caldas de caramelo, baunilha, etc, tem gente que come com banana, com morango, com uva passa... Milhaaaaares de opcoes. Na minha opiniao, manter simplificado e' a melhor opcao: mel e canela. Ou somente o mel.


O bom do porridge e' que ele te mantem satisfeito por mais tempo que outros cafes-da-manha tradicionais, como cereais, torradas ou frutas.

FATOS:
. Dos cereais matinais, o porridge 'e o que mais contem proteinas \o/
. Quando ingerido diariamente, pode auxiliar no combate 'a diabetes tipo 2
. Auxilia na digestao
. Rico em fibras
. Auxilia na reducao do colesterol
. Aumenta a producao de serotonina - o hormonio que deia a gente feliiiiiiizzz da vida :)


Nossa, achei ate' uma lista de pessoas famosas que comem porridge :'D
Wallace and Gromit, Nelson Mandela, Bill Gates, Demi Moore, Kate Moss, Calista Flockhart, Jane Fonda.



E' a perfeita "comfort-food"!








*Acheiiiiii!!! =D De acordo com o Google Translate:

English » Portuguese
porridge » mingau

» papa de aveia
» mingau de aveia
» mingau






Minha pergunta que nao queria calar no inicio do post ja' foi respondida.
Mas assim... o gosto do mingau e' o mesmo gosto do porridge?


Thursday, May 7

Book Crossing

Eu gosto de ler. Muito.

Talvez isso foi o que me fez prestar atencao nesse link numa das revistas que li esses dias e achar a ideia interessantissima. E' uma pena que certas iniciativas nao pegam no Brasil*, mas nao custa tentar. Quando estiver de volta no pais verde e amarelo, talvez eu tente fazer algo parecido - e que funcione!

O Book Crossing e' um site para uma 'sociedade de leitores' ao acaso. Deixe-me explicar.

Voce se cadastra no site. Coisa rapida, free of charge, indolor, sem riscos de pegar a gripe suina, nem nada disso. Ai' voce um dia pega um dos livros que voce tem em casa e nao quer mais, e discretamente o 'esquece' em algum lugar. Na academia, no banheiro do trabalho, no restaurante, no banco da praca, na lan-house, em qualquer lugar em que alguem va' encontra-lo.

Pronto :)

As pessoas que fazem parte do Book Crossing, caso encontrem algum livro em algum lugar, poderao ir ao site e comentar que encontraram o livro X, em Y lugar, no Z dia. Ou entao, podem tambem deixar quieto e aproveitar a leitura discretamente. E voce, que 'esqueceu' o livro, pode tambem te-lo cadastrado no site antes de abandona-lo - criando, assim, um controle dos livros que ja' deixou por ai' e mais detalhes. O site tem, na coluna da esquerda, uma lista dos livros recem-abandonados e tambem dos recem-encontrados.




*Pra calar minha boca, encontrei agora uma lista de paises em que pessoas recentemente 'esqueceram' livros. O Brasil ta' la', com seus 188. Desses, 126 foram em Sao Paulo. Os numeros indicam a quantidade de obras que foram deixadas em algum lugar nos ultimos 30 dias. Se voce clicar, por exemplo, em Sao Paulo, vai ver uma lista de localidades por onde os membros do site recem-deixaram seus livros. A lista de hoje inclui localidades como o Metro - Linha barra Funda, Shopping Bourbon Pompeia, Central das Artes e Wizard - Rua Aimbere.



Pros leitores assiduos e aos que gostam de sair da rotina, nao custa passar pelo site ;)

Friday, January 9

Nove de Janeiro

A pior parte e' a despedida.










Gostaria de agradecer aos que comentaram o ultimo post :) Sempre bom surpreender-me e receber palavras diferentes das que eu imaginei que viessem apos um desabafo daqueles. Um obrigada de coracao e apenas coisas boas em 2009!

Wednesday, December 24

Preciso trabalhar em mim

Voltar pra ca' e' encarar novamente meus fantasmas. E' ficar mal-humorada sem motivo, e' pensar em meus atos e tentar analisa'-los, sem necessariamente chegar a uma conclusao plausivel.

Voltar e' estar sujeita a julgamentos, olhares que analisam o futil, conviver com aqueles que preferem a aparencia e a marca da roupa ao inves da personalidade e da inteligencia. Retornar, mesmo que por poucos dias, significa um ate' logo a amizades importantes que la' ficaram e significa, tambem, uma saudade diferente... aquela que parece que nao passa nunca. O medo de me prenderem aqui pra sempre, de um tchau virar um adeus, o receio de me tornar futil e querer entrar numa academia nao por motivos de saude ou por fazer bem a alma, mas pelo que outros pensarao do meu corpo.

Voltar e' aguentar cantadas nojentas daqueles que pensam que o ato e' o melhor que poderiam oferecer a uma mulher. Voltar e' ser diariamente cobrada. E se eu nao trabalhar na minha area? E se eu me endividar com minha casa? E se eu tiver que pedir ajuda, com esse orgulho que tenho desde que me conheco por gente e que nao me deixar dar o braco a torcer? E se comecar a discutir por coisas pequenas, encontrar problemas que nao existem, reclamar apenas para contribuir com a conversa, esquecer todo o ingles que aprimorei durante esse tempo fora, voltar a estaca zero?

Tenho medo de nao acreditar mais em meus sonhos. Temo esse julgamento todo, esses conselhos que nao pedi, esses olhares que analisam aquilo que nao importa, esse pensamento pequeno, de quem nao cresceu, de quem nao teve a oportunidade de ver o mundo com outros olhos. Sem julgar, sem se importar com um peito mais caido, uma barriguinha saliente, uma unha por fazer ha' mais de meses.

Eu nao tenho bunda grande ou silicone. Nao sou alta, muito menos loira. Meu cabelo nao e' liso e nem muito comprido. Nao to nem ai' se minhas unhas do pe' nao seguem um padrao ou se as da mao estao com o esmalte descascado. Quero ir no shopping de chinelo, sim. Quero sair de casa sem pentear meu cabelo, quero ir no cinema sozinha, quero andar a pe' ao inves de pegar um taxi e nao to nem ai' se eu chegar ao meu destino toda suada. Nao sei se farei pos-graduacao, muito menos se trabalharei na area. E se eu quiser trabalhar numa livraria, numa sorveteria, numa choperia... problema e' meu tambem.

Nao, hoje nao farei chapinha, nao comerei churrasco, vou almocar sorvete e jantar vitamina de abacate. Nao responderei scraps se nao quiser e assistirei o mesmo filme pela vigesima vez. Ninguem tem nada com isso. E, se todos tomam cerveja, tomarei vinho ou suco ou caldo de cana. E nem me sinto mal por colocar um desebafo desses aqui.



Preciso trabalhar em mim.





Credito da imagem: Papel de Pao.

Thursday, December 11

Ate o meu cabelo...



Tomara que um dia o cuspe caia bem no meio da minha fuca por esse post. Essa talvez seja a primeira vez que eu queira morder a lingua, desejar nao ter cuspido no prato que comi a vida inteira, cair de bunda no chao depois de ter meu tapete puxado por mim mesma.

Mas, na boa, ate o meu cabelo e' melhor na Irlanda.

Friday, September 19

Programacao de Inverno

Programacao cultural para os proximos dias. Espero poder comentar, mesmo que rapidamente, sobre cada um deles.

Setembro
. 19 Culture Night
. 20 Evita – the Musical
. 27 The Elvis Presley Story
. 29 Metamorphosis

Outubro
. 04 The Year of Magical Thinking
. 13 – 15 Madrid Open de Tenis
. 31 Halloween Party

Novembro
. 01 Magick Macabre

Dezembro
. 07 Brasil

Janeiro
. 10 Dublin

Marco
. 02 Mini Trip pela Europa [2 semanas]

Abril
. 04 Cirque du Soleil [Quidam]

Tuesday, July 15

Horizonte distante

Acho que uma das piores sensacoes quando se mora longe da familia e' a de ser deixada de lado. Nao propositalmente, mas naturalmente. Tornamo-nos uma pessoa distante [geograficamente] e nao fazemos mais parte do dia-a-dia daqueles que ficaram. Pouco a pouco, ja nao sabemos mais sobre discussoes bobas ou quando um novo movel tirou o espaco do sofa' que estava na sala ha' mais de dez anos. Nao se sabe quando alguem compra um edredon diferente ou quando a diarista nao aparece por estar com dor de estomago. Ou entao quando o portao da garagem deu problema e o carro teve que ser deixado do lado de fora por uma noite. Nao se sabe o novo codigo do portao do predio, muito menos o nome do novo porteiro ou o mais recente integrante da patota.

Ultimamente tenho me sentido um pouco mais de fora do que dos momentos pequenos. Nao me importo ter meu antigo quarto como deposito de objetos obsoletos. Tambem nao me incomoda o fato de minha irma usar roupas e calcados meus que nao vieram comigo por falta de espaco ou utilidade na terra fria. Sinto saudades da comunicacao boba. Me entristece ver minha prima dizer a minha mae e minha irma que as ama e nao escutar o mesmo por estar longe e nao poder oferecer o apoio que ela precisa, quando precisa. Sinto nao estar nas fotos dos casamentos e formaturas de pessoas importantes, sinto nao conhecer a nova namorada de um amigo da epoca da escola. Sinto ate um pouquinho de maldade da parte deles, quando me dizem que minha mae foi parar no hospital, mas que ja esta' em casa e tudo esta' bem. E eu soube apenas que algo estava errado depois que o pior ja' havia passado. Me sinto mal por telefonar depois que tudo aconteceu e nao poder estar presente em momentos realmente necessarios.

Fico brava por ser poupada das coisas, mas tambem entendo quando dizem que nao queriam me preocupar. Estou dividida. Dividida entre saber e nao saber, entre ligar e deixar que me liguem, entre persistir ou reconhecer que o momento chegou, abandonar o barco. Dividida entre Brasil e Irlanda, entre passado e presente, entre conforto e luta. Dividida entre medo e coragem.

Seria abandonar o barco ir embora ou permanecer por aqui e tentar algo novo? Seria estar aqui dizer nao as necessidades da minha familia ou lutar por um ideal que talvez seja so' meu? Seria estar aqui medo ou coragem?

Friday, July 11

Atualizacao rapida

Tenho tanto pra contar desde a ultima visita, que nem sei bem por onde comecar. Sem contar que estou em divida em relacao aos relatos de viagem - que, esse ano, nao sao muitas (mas foram inesqueciveis).

Preciso ainda postar sobre Belfast. Fomos com o Ro e a Re, nossos flatmates. Alugamos um carro, vimos o espetaculo "Delirium", do Cirque du Soleil e visitamos os lugares que, na minha opiniao, sao os mais lindos e impressionantes que ja vi na vida.

Preciso ainda falar sobre nossa semana de ferias - merecidas! - em Santorini, na Grecia. Alugamos uma moto, fiquei horrivel de capacete, mergulhei, fui de ponta a ponta, provei - e aprovei - pratos deliciosos e desfrutei de muitas coisas boas. Sem falar nas 500 fotos.

Voltei as aulas, gracas a uma professora recem-contratada chamada Gillian. Minhas aulas de espanhol acabaram e agora devem voltar em outubro. Devo ainda decidir se continuo ou nao. Me inscrevi num curso de 12 semanas de defesa pessoal, que deve iniciar no dia 23. Li um dos livros mais tristes da historia, chamado "The Time Traveler's Wife". Terminei de assistir a primeira temporada de "Brothers & Sisters", que nao precisou fazer muito para entrar na lista dos favoritos. Fiz umas compras online e estou a cada dia mais encantada pela facilidade e praticidade que a Internet proporciona. Cansei do empurra-empurra e daquele monte de roupa pulando em cima de mim quando eu tento alcancar o ultimo vestido tamanho P da loja inteira.

Nao comprei mais nenhum ingresso pra atividades culturais futuras, mas esses dias recebi a programacao do Gaiety Theatre pras temporadas de outono e inverno e, devo dizer que, ate o final do ano, estarei por la umas quatro vezes ainda. Ah, vou pela terceiro ano assistir ao Riverdance. Em setembro tem "Evita" e mais tarde tem tambem o festival de teatro do Ulster Bank, "Madama Butterfly", "Swan Lake" e, no proximo ano, "High School Musical".

Em dezembro, Brasil. Agosto, ate entao, show do Lenny Kravitz, com participacao da Alanis Morissette e One Republic. Em agosto, tambem, comemoramos quatro anos juntos e devemos ir pra algum lugar aqui perto. Setembro e' meu aniversario e ainda nao quero pensar na comemoracao do meu um-quarto de seculo.

Prometo retornar pra descrever melhor as viagens do ano que ainda nao ocuparam espaco por aqui.

Adoro escrever pra mim mesma =D
 
design by suckmylolly.com