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Monday, August 17

Diario da Despedida - semana II

Mais uma segunda-feira. Esse tempo passa rapido demais!
Aqui vai mais uma 'edicao' do diario da despedida. Fico feliz por perceber que os pensamentos referentes 'a partida ficaram escassos ao passar dos dias.


Segunda, 10 de agosto
. Em alguns momentos pensei se seria interessante levar algumas coisas de decoracao pro Brasil. A loja de decoracao de interiores, Avoca, seria meu alvo principal. O site nao tem muito, mas a loja e' simplesmente divina.
. Encaixotei parte dos livros que pretendo levar. Ainda nao sei se mando via correio ou navio. Na mala nao vai dar!
. Me senti cansada o dia inteiro e me peguei pensando se isso nao e' indicio de querer aproveitar tudo o que puder, independente do tempo ou da energia que me sobram.
. Quanto menos faco, mais eu penso. Por isso minhas tardes sao geralmente angustiantes.
. Quando o povo pergunta: "E aih, animada pra voltar?" - Eu sei que e' normal e que significa que eles querem saber como a gente ta' e etc, questao de educacao e prova de amizade. Mas, gente, nao quero mais responder essa pergunta.


Terca, 11 de agosto
. Nenhum pensamento revelador hoje.
. Primeiro choro da serie veio 'a noite, pouco antes de dormir.


Quarta, 12 de agosto
. Sensibilidade 'a flor da pele.


Quinta, 13 de agosto
. To achando que ta' tudo dramatico demais e tento pensar que e' apenas uma nova fase, um recomeco, uma coisa normal pra tante gente que ja' morou fora do pais e conheceu pessoas, e se apegou, e se divertiu e aprendeu.


Sexta, 14 de agosto

. Fiquei em casa hoje, preferi nao ir trabalhar. To naquela fase de que e' melhor me ocupar de outras formas ao inves de sentar em frente a um computador durante a tarde, fingindo que tenho tarefas a cumprir. Delicioso ficar em casa, ter um tempinho pra mim mesma, pra ler, pra dormir depois do almoco, pra nao ter horario pra nada.
. Saimos 'a tarde pra comprar umas coisinhas que pretendemos levar daqui.


Sabado, 15 de agosto

. Fim de semana gostoso, sem dramas da minha parte, sem chororo, sem pensamentos nostalgicos, nem nada assim. Eba :)


Domingo, 16 de agosto
. La' no Donnybrook: "Jana, tu trabalha domingo que vem?" - "Aham" - "Ah, ta... entao fim de semana que vem eu te dou tchau".
Ahhhhhhhhhh :|

Monday, August 10

Diario da Despedida - semana I

Com esse papo todo de ir embora e a agua comecando a bater na bunda, decidi fazer anotacoes sobre meus sentimentos relacionados 'a despedida de Dublin e retorno ao sul do Brasil. Toda semana pretendo postar um update da semana anterior, com direito a ataques sem sentido, coracao apertado e as duvidas que assombram a gente quando alguma mudanca brusca esta' prestes a acontecer.


Como esse e' o primeiro post da serie, comecei apenas a notar meu comportamento anormal desde a ultima quinta-feira, 6 de agosto. Aqui vao os breves relatos dos ultimos quatro dias:


Quinta, 6 de agosto
. Comecei a pensar num album dedicado 'a Irlanda, como fotos desde o primeiro ano aqui, ate' a despedida.
. Pesquisei umas frases e uns textos de escritores depressivos e que sabem bem expressar os sentimentos, como Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector. Ja' colei alguns no Outlook pra citacoes posteriores.
. O sentimento bateu meio forte depois do almoco. Ja' comecei a pensar em quando levar a maquina fotografica pra registrar meus momentos com a Una [a velhinha que visito toda semana] e com o pessoal do trabalho.
. Comprei vinte cartoes de "Thank You", os quais pretendo enviar antes de voltar 'as pessoas que foram importantes pra mim durante esses mais de tres anos por aqui.


Sexta, 7 de agosto
. Quando vi, ja' estava a pesquisar musicas relacionadas 'a despedidas.
. Entreguei o curriculo de uma amiga como sugestao pra me substituir aqui na agencia.
. Vi que vai ter show da Lilly Allen aqui em dezembro e decidi nao olhar mais anuncio nenhum das atividades culturais. E' como tirar doce de crianca e isso doi!
. Tenho flashs de locais no Brasil pelos quais passava caminhando na ida ao trabalho, na volta do mercado, a caminho da faculdade. Essas ruas nao tem significado nenhum pra mim. Ainda e' um misterio o porque me veem 'a mente.


Sabado, 8 de agosto
. Fui numa festa de comemoracao do casamento civil gay do meu professor, Shane, com o Jose. Nao pude deixar de pensar se esse seria o ultimo encontro antes da minha partida.
. Fiquei ao mesmo tempo lisonjeada a triste quando algumas pessoas na festa comentaram sobre o meu sotaque irlandes, que adquiri nesses tres anos aqui. Como vai ser de volta no Brasil? Vou perder o sotaque? Esquecer o ingles?
. Percebi que tenho milhares de cremes hidratantes em casa. Ficou a sensacao de ter que usa-los todos antes de ir por dois motivos: a) nao quero ocupar minha mala com eles. Espaco e' luxo na volta definitiva; b) tambem nao quero me livrar deles. Resta-me, entao, me lambuzar 50 vezes ao dia.


Domingo, 9 de agosto
. Dei o aviso no Donnybrook, o lugar onde trabalho aos domingos, dizendo que so' tenho mais dois finais de semana por la'.
. E' dificil ver a expressao no rosto das pessoas quando voce diz que vai embora. Alguns olhares dizem que pensaram que voce nao iria nunca. Alguns expressam a falta que vao sentir de voce, enquanto outros nao acreditam pois sabem o quanto voce gosta de morar em Dublin.
. Levei a maquina fotografica pra registrar alguns momentos.
. Doeu escutar da Isa: "Olha, fim de semana que vem eu to de folga, entao capaz da gente nao se ver. Nao vai embora sem dar tchau, hein?"
. Separei algumas roupas que deixarei por aqui.
. Ja' senti saudades de algumas pessoas.



Segunda-feira que vem posto sobre as loucuras dessa semana. Espero menos drama e mais diversao, menos sofrimento antecipado e mais sensacao de ter que curtir ate' nao poder mais :)








Credito da Imagem.

Thursday, June 11

Foggy feelings



I'm too foggy today,
To know what you're sayin',
Your lips are moving so fast,
And I just keep praying,
For them to slow down,
So I can make some sense,
Of the words that are pouring out,
Of your crooked spout.


Os flashs de memoria nao me deixam em paz ultimamente. Nao me incomodam, mas e' engracado como estao presentes. Talvez pelo fato de, agora, ter oficialmente marcado minha passagem de volta. Sao pensamentos sem nenhuma conexao com o presente, que atiram-se por todos os lados de meu cerebro. Sao pensamentos os quais palavras nao descrevem, e ainda assim tao bobos e sem significado nenhum. Duram pouco, nao evoluem. Sao como fotografias, que a gente ve, a memoria capta e depois a gente relembra que viu.


Nesses ultimos dias vi diversas cenas. Todas brasileiras, todas passadas. Sera' nostalgia?


Vi a Praca XV, na capital catarinense. Vi a Beira-Mar. Vi umas tres casas de praia nas quais passei partes de veroes distintos com minha familia. Vi uma cena do primeiro encontro com quem hoje tornou-se o homem da vida. Vi meu antigo carro, minhas aulas de canto, minha caminhada ate' o Angeloni. Vi o tio do cachorro quente na Unisul, vi o tombo que levei na escada nessa mesma faculdade, vi a filha de uma das melhores professoras que ja' tive ate' entao.


Eu vejo tanto! Sera' saudade? Sera' a forma que o meu psicologico usa pra que eu me acostume com a ideia de voltar? Sera' medo? Sera' nada?


Nao gosto quando nao tenho explicacoes pras coisas que acontecem comigo...


Wednesday, December 24

Preciso trabalhar em mim

Voltar pra ca' e' encarar novamente meus fantasmas. E' ficar mal-humorada sem motivo, e' pensar em meus atos e tentar analisa'-los, sem necessariamente chegar a uma conclusao plausivel.

Voltar e' estar sujeita a julgamentos, olhares que analisam o futil, conviver com aqueles que preferem a aparencia e a marca da roupa ao inves da personalidade e da inteligencia. Retornar, mesmo que por poucos dias, significa um ate' logo a amizades importantes que la' ficaram e significa, tambem, uma saudade diferente... aquela que parece que nao passa nunca. O medo de me prenderem aqui pra sempre, de um tchau virar um adeus, o receio de me tornar futil e querer entrar numa academia nao por motivos de saude ou por fazer bem a alma, mas pelo que outros pensarao do meu corpo.

Voltar e' aguentar cantadas nojentas daqueles que pensam que o ato e' o melhor que poderiam oferecer a uma mulher. Voltar e' ser diariamente cobrada. E se eu nao trabalhar na minha area? E se eu me endividar com minha casa? E se eu tiver que pedir ajuda, com esse orgulho que tenho desde que me conheco por gente e que nao me deixar dar o braco a torcer? E se comecar a discutir por coisas pequenas, encontrar problemas que nao existem, reclamar apenas para contribuir com a conversa, esquecer todo o ingles que aprimorei durante esse tempo fora, voltar a estaca zero?

Tenho medo de nao acreditar mais em meus sonhos. Temo esse julgamento todo, esses conselhos que nao pedi, esses olhares que analisam aquilo que nao importa, esse pensamento pequeno, de quem nao cresceu, de quem nao teve a oportunidade de ver o mundo com outros olhos. Sem julgar, sem se importar com um peito mais caido, uma barriguinha saliente, uma unha por fazer ha' mais de meses.

Eu nao tenho bunda grande ou silicone. Nao sou alta, muito menos loira. Meu cabelo nao e' liso e nem muito comprido. Nao to nem ai' se minhas unhas do pe' nao seguem um padrao ou se as da mao estao com o esmalte descascado. Quero ir no shopping de chinelo, sim. Quero sair de casa sem pentear meu cabelo, quero ir no cinema sozinha, quero andar a pe' ao inves de pegar um taxi e nao to nem ai' se eu chegar ao meu destino toda suada. Nao sei se farei pos-graduacao, muito menos se trabalharei na area. E se eu quiser trabalhar numa livraria, numa sorveteria, numa choperia... problema e' meu tambem.

Nao, hoje nao farei chapinha, nao comerei churrasco, vou almocar sorvete e jantar vitamina de abacate. Nao responderei scraps se nao quiser e assistirei o mesmo filme pela vigesima vez. Ninguem tem nada com isso. E, se todos tomam cerveja, tomarei vinho ou suco ou caldo de cana. E nem me sinto mal por colocar um desebafo desses aqui.



Preciso trabalhar em mim.





Credito da imagem: Papel de Pao.

 
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