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Monday, October 11

Mudanças, mudanças


Cara, hoje estou genuinamente feliz. Depois de um ano morando sob o teto de sogro e sogra, nos mudamos no fim de semana, pra um cantinho só nosso. Tudo bemmm menor, gastaremos mais, é mais responsa, mais incomodação, mais preguiça de fazer as coisas, mas é tão... nosso! Entrar no cantinho que escolhi pra gente foi mágico e, apesar de ainda não ter curtido bem o espaço, sinto uma felicidade imensa quando entro lá. Fica localizado estrategicamente, me dá uma liberdade enorme de ir a pé pra vários lugares [adoro andar!], é quieto, seguro, tem ótima vibe... não vejo a hora de levar os mais chegados lá, pra dividir essa alegria comigo.

Depois de tanto trabalho pra finalizar o processo de aluguel, o fato de estar lá é mais que uma vitória. Foram quase dois meses de lenga-lenga até que conseguíssemos deixar tudo a-okay e efetivamente mudar. Hoje, talvez por ser véspera de feriado, estou com uma preguiça enooorrrmmmeee de contar tudo o que incomodou nessas últimas semanas. Mas ah, agora tá esquecido.

O sol por aqui começa a aparecer com mais frequência, embora o calor ainda não tenha vindo pra ficar. No sábado rola show do The Cranberries aqui. Quero muito ir, não apenas por gostar deles, mas por trazerem pra cá um pouquinho da Irlanda. Alguém aí sabe onde encontro uma bandeira irlandesa por Floripa? Seria de bom tom levar um pra abanar no show :)

O domingo foi maravilhoso. Começou com praia, com a bela companhia da Rê, do Rê e do meu Vi. Depois de um almocinho gostoso lá pela Barra e de um banho relaxante, os meninos se encontraram para assistir a final do vôlei masculino e Rê e eu partimos pra casa da Rita – aniversário da Sofia. A noite terminou com papos inteligentes, profundos e sinceros. Adoro isso!

Também foi nossa primeira noite no apê. Ai, que sentimento gostoso!

Tuesday, November 25

Quase dezembro

Eu sei que ainda ta cedo pra olhar pra tras e fazer um balanco do que aconteceu em 2008. Mas as decoracoes de Natal por aqui me colocaram no clima. Papai Noel chegou, galera, e quando a gente perceber ja teremos pulado as benditas sete ondas, que todo ano prometem um ano melhor que o anterior.

Eu nao sou uma pessoa que pede. Eu agradeco. Se quero algo, eu mesma corro atras. Portanto, sinto informar que esse lance de ano novo pra mim e' muito comercial e pouco verdadeiro. Por outro lado, acho realmente lindo o modo como a tradicao contagia todo mundo, que veste branco, come lentilha e guarda a folha de loro na carteira. E' uma epoca em que todos creem que as coisas podem melhorar e, na minha opiniao, ter esperanca - mesmo que por apenas um dia -, e' demasiadamente importante.

Meu 2008 foi turbulento. Nao de forma ruim - ate porque meu otimismo nao me deixaria reclamar de nada do que vivi esse ano. Ruim e' quando a gente perde nossa casa pra uma enchente, ruim e' quando alguem proximo falece, ruim e' quando uma doenca nos pega de surpresa, quando encontramos com a violencia, quando nao temos dinheiro o suficiente pra comprar um pao com manteiga pros nossos filhos. Isso e' ruim. E eu nao tenho motivos pra reclamacoes, portanto tenho certeza de que minha vida e' boa. Minha vida e' otima e os acontecimentos de 2008 podem ter me deixado um pouco pra baixo algumas vezes. Talvez tenham me feito ficar nervosa por nao saber por onde comecar, me dado preocupacoes e ate uma nova ruga ou fio de cabelo branco.

Os acontecimentos de a008 foram tantos, que me faz bem poder olhar pra tras e ver que o que achei que nao fosse resolver, foi resolvido; o que achei que fosse complicado demais, mostrou-se facil; o que acreditei ser o fim tornou-se um comeco mais forte.

Dois mil e oito começou com um sentimento inusitado, passou pra uma discussao feia, mas sincera. Chorei como havia muito que nao chorava, tive duvidas, arrisquei.

Esse ano tambem me mostrou que a pessoa que tenho hoje ao meu lado e’ mais importante pra mim do que eu inicialmente imaginava. Aprendi a dividir e a pensar de forma menos egoista. Percebi que tenho comigo ha mais de quatro anos uma pessoa com a qual quero dividir minha vida pra sempre – ou enquanto formos felizes e realizados em todos os sentidos.

Em 2008 abri os olhos, cai e levantei, ajudei quem poderia e tenho a consciencia de que talvez devesse ter sido mais paciente e menos exigente em algumas situacoes. Fiz mais trabalho voluntarios e adquiri uma nova paixao pelo ato tao simples e significativo. Me alimentei melhor, mas tambem nao deixei de lado os prazeres caloricos. Viajei pouco, mas viajei bem. Tomei decisoes, me aproximei de pessoas que se mostraram proximas, cortei uma ou outra que nao me fazia mais assim tao bem.

Mais pra metade do ano, comecei a me despedir de pessoas queridas que deixaram Dublin e partiram pra novas etapas. Comi mais em restaurantes e tomei mais vinho. Recebi uma surpresa maravilhosa em outubro. A unica na minha vida que eu nao descobri que aconteceria. Perdi um emprego, mas logo encontrei outro. Conheci novas pessoas. Fiquei nervosa com tantas mudancas repentinas, mas agora vejo que mudanças sao necessarias pro nosso crescimento.

Hoje olho pra tras e como sou grata! Ate mesmo pelas dificuldades, pelos imprevistos, por aquilo me eu fez chorar. Amadureci, ganhei mais um ano, recebi um email do meu pai no meu aniversario para o qual nao tenho palavras – a coisa mais linda que ja li na vida. Pra mim. So’ pra mim [sim, aqui eu ainda posso ser um pouquinho egoista e fazer inveja...].

Sao coisas assim que tornam meu ano feliz, valido e colorido. Pensar no 2009 me assusta um pouco. Os planos são diversos e grandes tambem. Passos talvez maiores dos que tenho dado ate entao. Ou nao... talvez sejam apenas passos que a gente decide dar. Ao inves de continuar na reta, talvez seja interessante virar a esquerda, entrar numa rua desconhecida e arriscar um pouco. A falta de sinalizacao talvez atrapalhe, mas nao me fara nunca estacionar. E, se a rua for sem saida, não tem problema. A gente da meia volta e procura um outro destino...



Monday, September 15

"Minha alegria, meu cansaco..."

Estou tao cansada desde que comecei no novo emprego que a minha cabeca anda uma desorganizacao so'. E' como se me dessem um dia com apenas 12 horas e eu tivesse que continuar com todas as atividades que geralmente faco em 24. Nao e' uma reclamacao. E' apenas um desabafo. Talvez um desabafo bom. Mas na correria. Ter tempo pra ler meus livros e' do que mais sinto falta. Geralmente chego em casa tao cansada, que mal consigo passar da decima pagina antes de cair no sono. Nao gosto de empacar em livro. Muito menos parar de ler na metade, embora alguns nao tenham me dado animo o suficiente pra continuar a virada das paginas.

Esses ultimos meses tambem foram premiados como "meses dos acontecimentos". Nunca vi tanta coisa acontecer tao rapido e em tao pouco tempo. Vieram a Kitchy, a Gabi (pra ficar), a Maira e o Marcelo. A agencia fechando, a procura por emprego, a ida 'a entrevistas, a mudanca de professores na escola, os festivais de teatro, a compra de ingressos, meu aniversario, os aniversarios em agosto, as festas, decisoes, o novo emprego, um dilema especifico, pagamentos, depositos, a volta as aulas, idas-extras ao banco, os artigos pro jornal, a tentativa pra ficar ruiva, a descoberta dos livros de fantasia e da agua de sabor, despedidas... Ahhhh!

Minha cabeca esta' a mil por hora e estava ainda pior uns dias atras. Mal vejo os que moram comigo, mal entro na sala e so' passo pela cozinha pra ir ao banheiro. Vou ao mercado no meu break do trabalho aos domingos, vou ao banco no horario de almoco, troco uma peca de roupa no caminho entre o trabalho e a escola. Nao penso mais muito. Quando leio, caio no sono. Tomo mais cafe, mas tambem como menos besteiras. Quando a gente tem tempo, a gente come mais. Pra preencher o espaco.

Minha rotina no dia-a-dia nao e' longa. Mas e' cansativa. Comeco no trabalho as 9h, o que me da quase uma hora a mais de sono se comparado ao meu emprego anterior. Tenho uma hora e quinze de almoco - que e' quando aproveito pra comer ou entao ir ao banco, 'a bilheteria, pra ler e responder meus emails e tentar me manter em contato com o povo. Trabalho depois ate 17h30, sem parar um minuto. As aulas comecam as 18h30. Levo meia-hora ate a escola. As vezes escapo pra olhar uma loja ou comprar alguma coisa pra comer. Fico na aula ate as 21h30 e chego em casa sao quase 22h. Tomo banho. Tento ler. Capoto ate o outro dia.

Aos domingos, trabalho das 8h as 18h. Sabados sao os dias que tenho de folga. Por incrivel que pareca, nao gosto de parar em casa. Invento algo pra fazer. Sair, caminhar, fazer algum trabalho voluntario, ler no parque, tomar um cafe, ir no teatro, tomar um vinho no pub, almocar num lugar diferente, gastar o dinheiro com coisas que eu nao necessariamente preciso. As ultimas visitas tornaram meus sabados mais agitados e cansativos. Com o sono atrasado, fico nervosa facil e sinto mais ainda a bagunca que esta' dentro da minha cabeca. Como se, apesar de toda a correria, algo ainda faltasse. Esse "algo" besta, como ler com frequencia, saber das noticias e parar de correr um pouco no meu horario de almoco. Conversar mais e olhar as coisas direito. Nao apenas passar o olho. Sair do automatico e sentir melhor.

Mas e' a correria que adoro. So' preciso aprender a controlar melhor o meu tempo, o meu sono, o meu cansaco.

Monday, September 1

Strange Transmissions

I could trip and I want you to know
Every time I think that I think I should go
I receive strange transmissions


Uma daquelas epocas estranhas. Nao ruins. Tambem nao podem ser descritas como tristes, desapegadas, vagais. Sao estranhas. De uns dias pra ca, e' como se todo esse agito frenetico simplesmente parasse. Como se, por um momento, o tempo congelasse e isso me fizesse sentir tudo o que a correria fez passar batido ou que meu coracao nao quis enxergar.

O fechamento da agencia, a despedida na ultima semana, o inicio de um novo emprego hoje pela manha, uma rotina diferente prestes a comecar. Ate se tornar banal, sem querer atencao, automatica. Esses ultimos dias trouxeram as lagrimas aprisionadas ha' tempos. Os anseios, receios, recheios. E' como se o mundo disesse: "Para! E pensa. E sinta um pouco tambem. Prove um bocado da sensacao, mesmo que a aparencia nao seja das mais convidativas. Deixe-se levar. Esqueca o futuro por um instante e traga as preocupacoes para o presente. Ou entao deixe que aparecam somente quando for a epoca. Por enquanto, viva."

Esses dias sao os dias sensiveis. Se acreditam em inferno-astral, pode ser tambem uma justificativa. O coracao mole, as vezes um pouco apertado. E, quando procuramos um motivo, e' dificil de encontrar. Como a chave do carro que a gente perde e recupera somente quando ja' temos uma reserva em maos. Talvez eu deva parar de revirar as dobras do cerebro em busca de uma causa pra um sentimento tao comum. Talvez eu deva apenas me deixar levar. Acredito precisar ser um pouco fraca vez ou outra. Deixar de ser a que cuida, pra ser cuidada. Deixar de parecer forte e mostrar um pouco da face que muitos nao veem.

Chorar. E, depois de um tempo, sorrir por estar feliz. Pelo choro ter ajudado no desabafo. Esvaziar o coracao, abrir espaco pra novos desafios e sensacoes. Por que o medo? Ne'?

Que coisa!
 
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