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Tuesday, August 18

Contador de Historias

Tenho preguica de contar historias. Tanto as que aconteceram com os outros, quanto minhas proprias experiencias. Sabe quando o povo ta' curioso pra saber como terminou uma festa, como foi a viagem, como estava no restaurante? Sou peeeessima pra responder quaisquer variedades da mesma pergunta. Nao e' nem pelo fato de eu ser reservada e nao querer que todo mundo saiba o que eu comi no almoco ou o tamanho do meu bikini. Acho que e' mais por me achar chata demais quando tento relatar algo pra alguem. Nem deveria confessar tal defeito, uma vez que escolhi jornalismo pra pagar minhas contas. E, se ja' e' complicado ser bem paga sendo talentosa, imagina uma jornalista que nao sabe contar uma historia.


Talvez seja essa coisa de ser um pouco insegura. Nao, na verdade esses tempos descobri um aspecto importante sobre mim mesma: nao gosto de ser o centro das atencoes. E contadores de historias tem sempre todas as fac es voltadas a eles e, independente do que veem na plateia, precisam manter a concentracao e terminar o tell-tale. Nao sou engracada, nem tenho muitos 'causos' interessantes pra prender a atencao do ouvinte. Talvez por isso desde pequena sempre preferi escutar a falar. Sou quieta mesmo, a nao ser naqueles dias inusitados em que falo besteira e rio de mim mesma ate' alguem pedir pra eu, por favor, calar a boca.


Ja' fiz teatro, outra atividade que pede que voce relate os fatos do roteiro da forma que lhe for imposta pelo diretor, e adorava. Talvez pela iluminacao toda do palco impedir que eu visse as expressoes do publico, sentado avido nas poltronas, esperando por algo que surpreendesse e tirasse o folego. Vou adorar ler pros meus filhos antes deles dormirem, trabalhar como jornalista pra contar historias de outras pessoas e ate' um dia escrever meu(s) best-seller(s). Mas pra eu contar minha propria historia, so' mesmo atraves da escrita ou quando a escuridao nao me deixar observar aqueles que me ouvem.







Credito da Imagem.

Thursday, May 7

Book Crossing

Eu gosto de ler. Muito.

Talvez isso foi o que me fez prestar atencao nesse link numa das revistas que li esses dias e achar a ideia interessantissima. E' uma pena que certas iniciativas nao pegam no Brasil*, mas nao custa tentar. Quando estiver de volta no pais verde e amarelo, talvez eu tente fazer algo parecido - e que funcione!

O Book Crossing e' um site para uma 'sociedade de leitores' ao acaso. Deixe-me explicar.

Voce se cadastra no site. Coisa rapida, free of charge, indolor, sem riscos de pegar a gripe suina, nem nada disso. Ai' voce um dia pega um dos livros que voce tem em casa e nao quer mais, e discretamente o 'esquece' em algum lugar. Na academia, no banheiro do trabalho, no restaurante, no banco da praca, na lan-house, em qualquer lugar em que alguem va' encontra-lo.

Pronto :)

As pessoas que fazem parte do Book Crossing, caso encontrem algum livro em algum lugar, poderao ir ao site e comentar que encontraram o livro X, em Y lugar, no Z dia. Ou entao, podem tambem deixar quieto e aproveitar a leitura discretamente. E voce, que 'esqueceu' o livro, pode tambem te-lo cadastrado no site antes de abandona-lo - criando, assim, um controle dos livros que ja' deixou por ai' e mais detalhes. O site tem, na coluna da esquerda, uma lista dos livros recem-abandonados e tambem dos recem-encontrados.




*Pra calar minha boca, encontrei agora uma lista de paises em que pessoas recentemente 'esqueceram' livros. O Brasil ta' la', com seus 188. Desses, 126 foram em Sao Paulo. Os numeros indicam a quantidade de obras que foram deixadas em algum lugar nos ultimos 30 dias. Se voce clicar, por exemplo, em Sao Paulo, vai ver uma lista de localidades por onde os membros do site recem-deixaram seus livros. A lista de hoje inclui localidades como o Metro - Linha barra Funda, Shopping Bourbon Pompeia, Central das Artes e Wizard - Rua Aimbere.



Pros leitores assiduos e aos que gostam de sair da rotina, nao custa passar pelo site ;)

Monday, September 15

"Minha alegria, meu cansaco..."

Estou tao cansada desde que comecei no novo emprego que a minha cabeca anda uma desorganizacao so'. E' como se me dessem um dia com apenas 12 horas e eu tivesse que continuar com todas as atividades que geralmente faco em 24. Nao e' uma reclamacao. E' apenas um desabafo. Talvez um desabafo bom. Mas na correria. Ter tempo pra ler meus livros e' do que mais sinto falta. Geralmente chego em casa tao cansada, que mal consigo passar da decima pagina antes de cair no sono. Nao gosto de empacar em livro. Muito menos parar de ler na metade, embora alguns nao tenham me dado animo o suficiente pra continuar a virada das paginas.

Esses ultimos meses tambem foram premiados como "meses dos acontecimentos". Nunca vi tanta coisa acontecer tao rapido e em tao pouco tempo. Vieram a Kitchy, a Gabi (pra ficar), a Maira e o Marcelo. A agencia fechando, a procura por emprego, a ida 'a entrevistas, a mudanca de professores na escola, os festivais de teatro, a compra de ingressos, meu aniversario, os aniversarios em agosto, as festas, decisoes, o novo emprego, um dilema especifico, pagamentos, depositos, a volta as aulas, idas-extras ao banco, os artigos pro jornal, a tentativa pra ficar ruiva, a descoberta dos livros de fantasia e da agua de sabor, despedidas... Ahhhh!

Minha cabeca esta' a mil por hora e estava ainda pior uns dias atras. Mal vejo os que moram comigo, mal entro na sala e so' passo pela cozinha pra ir ao banheiro. Vou ao mercado no meu break do trabalho aos domingos, vou ao banco no horario de almoco, troco uma peca de roupa no caminho entre o trabalho e a escola. Nao penso mais muito. Quando leio, caio no sono. Tomo mais cafe, mas tambem como menos besteiras. Quando a gente tem tempo, a gente come mais. Pra preencher o espaco.

Minha rotina no dia-a-dia nao e' longa. Mas e' cansativa. Comeco no trabalho as 9h, o que me da quase uma hora a mais de sono se comparado ao meu emprego anterior. Tenho uma hora e quinze de almoco - que e' quando aproveito pra comer ou entao ir ao banco, 'a bilheteria, pra ler e responder meus emails e tentar me manter em contato com o povo. Trabalho depois ate 17h30, sem parar um minuto. As aulas comecam as 18h30. Levo meia-hora ate a escola. As vezes escapo pra olhar uma loja ou comprar alguma coisa pra comer. Fico na aula ate as 21h30 e chego em casa sao quase 22h. Tomo banho. Tento ler. Capoto ate o outro dia.

Aos domingos, trabalho das 8h as 18h. Sabados sao os dias que tenho de folga. Por incrivel que pareca, nao gosto de parar em casa. Invento algo pra fazer. Sair, caminhar, fazer algum trabalho voluntario, ler no parque, tomar um cafe, ir no teatro, tomar um vinho no pub, almocar num lugar diferente, gastar o dinheiro com coisas que eu nao necessariamente preciso. As ultimas visitas tornaram meus sabados mais agitados e cansativos. Com o sono atrasado, fico nervosa facil e sinto mais ainda a bagunca que esta' dentro da minha cabeca. Como se, apesar de toda a correria, algo ainda faltasse. Esse "algo" besta, como ler com frequencia, saber das noticias e parar de correr um pouco no meu horario de almoco. Conversar mais e olhar as coisas direito. Nao apenas passar o olho. Sair do automatico e sentir melhor.

Mas e' a correria que adoro. So' preciso aprender a controlar melhor o meu tempo, o meu sono, o meu cansaco.
 
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