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Tuesday, October 6

Vida musical

Gente, eu tenho problemas. Problemas sérios. Coloquei meus pés de volta na terrinha há quatro dias. Todo mundo que retorna, ainda mais depois de alguns anos fora, gosta de ficar de férias e curtir a família antes de se empolgar pra conseguir um emprego e encarar a vida (sur)real.

Eu não.

Como disse: problemática. Algo não bate bem, faltou preguiça quando meus pais me fabricaram, ou sobrou agitação e ansiedade. Não sei bem, mas algo tem de muito estranho comigo. No meu segundo dia ainda estava imaginando se isso tudo é mesmo real, se eu viajei mesmo da Irlanda pra cá, se meu vôo atrasou em Guarulhos, se fiz mesmo a surpresa pros meus pais. No terceiro dia em terras brasileiras, já estava procurando o que fazer.

Por onde começar? Com quem falar? Quais os contatos quentes do jornalismo florianopolitano? Meu currículo tá legal? Será que envio tudo isso por email ou arrisco os correios?

E a greve dos bancos, minha gente? Me desacostumei com isso tudo. E o preço de uma meia-calça? Quase caí pra trás quando a atendente cobrou mais de DEZESSETE reais da minha irmã por uma meia-calça simplona, cor-da-pele, nada-demais.

Fui presenteada com um tempinho nublado, muito obrigada! Nem precisa me conhecer muito pra saber que o calor não me agrada. Hoje já fui meio grossa com minha mãe por ela ter me feito uma pergunta e ter me interrompido enquanto eu respondia a mesma. Hoje já vi meus pais e minha irmã discutirem por coisas simples. E também me irritei com uns trejeitos de alguém.

Aqui tá tudo mesmo igual. Após três anos e meio... tudo igual. Umas rugas a mais em alguns, uns fios de cabelo branco em outros, umas barriguinhas salientes, algumas amigas grávidas, outras na mesma, outras das quais não me lembro mais o nome. Mas igual.

Fiquei, portanto, com um sentimento estranho em relação a um recomeço. E todas aquelas perguntas começaram a me assombrar novamente. Como vai ser? E o emprego? O salário? Meu relacionamento com meus pais, com os pais do Vi, com meus amigos. E as novas amizades? Minhas dívidas? Um carro?

Esse sentimento estranho que me faz escutar cada música e prestar atenção na letra e me emocionar talvez sem motivo. Será o Brasil mais dramático? Quais os motivos por me sentir dessa maneira? Serão os sentimentos ainda à flor da pele? Vai passar? Será saudade? Será alegria por estar rodeada de pessoas que me amam e querem bem? Será nostalgia? Será decepção, tristeza, incompreensão?

O que será, afinal? Será o Português que me deixa assim, sem saber me expressar direito? Não sei bem. Espero logo vir e ter respostas para todos os questionamentos, mesmo os mais bobos.

A vontade de chorar é constante. Se por alegria ou preocupação, não sei. Benditas letras das músicas que dizem exatamente o que sentimos, e benditas as melodias que nos tocam lá no fundo.







Crédito da Imagem.


Friday, September 25

Ultimos dias

Falta menos de uma semana pro retorno ao Brasil. A viagem dos ultimos dias me deixou mais otimista e confiante e, se tudo correr bem, devo continuar com esse sentimento pulsando o tempo inteiro.

A viagem foi otima por diversos motivos, mas acredito que o mais marcante deles foi o fato de perceber que, mesmo quando estamos longe, a vida de todo mundo continua. Antes de ir, talvez por pensar demais no assunto, minha rotina estava o maior dramalhao mexicano. Era pensar na minha volta, que meu coracao acelerava, momentos nostalgicos surgiam e ate um pouco de pessimismo invadia meu coracao.

As tres semanas fora da Irlanda serviram pra que eu percebesse que, se nao fosse eu indo embora agora, seriam outros. E mesmo assim eu teria que dizer adeus, sentir falta dos amigos que fiz e tentar me acostumar com a ausencia deles. Mesmo ficando, teria que me adaptar com a falta de pessoas queridas e teria que encarar novamente o vento incessante do inverno daqui, e teria que conviver com brasileiros que chegam diariamente, mas que nao fazem parte do meu circulo social, teria que me virar nos 30 pra turbinar a rotina e nao cair no tedio.

Os 21 dias pros lados do Leste Europeu me ajudaram dessa forma. Me mostraram que a vida e', sim, um ciclo. E que a gente precisa rodar com isso tudo, pra nao parar no tempo. Minha hora de retornar chegou, depois de tres anos e meio. Nao tenho duvidas de que sentirei uma falta danada de diversas coisas dessa terra fria que aprendi a amar. Marquei a despedida pra sabado, e sei que lagrimas cairao do meu rosto, mesmo que eu tente nao fazer com que os outros percebam. Mas ainda terei alguns dias da proxima semana pra curtir os amigos mais chegados, pra tirar mais algumas fotos, ir a alguns teatros, ser um pouco turista e me despedir com calma dessa terra dona de pessoas alegres e compreensivas.

Ate' minha partida, farei tudo o que desejo. Visitarei aqueles que nao vejo ha' tempos, andarei pela cidade sem rumo e sem tempo pra voltar pra casa, jantarei com amigos dos quais sei que sentirei falta na minha rotina, irei a pecas teatrais, tomarei pints de Guinness e deixarei que a Irlanda tome conta de mim pela ultima vez, pois quero guardar comigo esse sentimento indescritivel pra sempre. Quero transformar tudo isso em fe' e esperanca, pra que tudo o que de certo aqui, continue dando certo no Brasil ou sabe-se la' pra onde o destino me levar no futuro proximo.






Credito da Imagem.



Thursday, August 27

Diario da Despedida - parte III

Entao, pessoas. Pensei em nao postar o diario da despedida, tanto e' que na segunda-feira simplesmente deixei quieto. Mas ja' que foi feito, aqui esta'. A partir do dia 31, segunda-feira, estarei viajando por alguns locais e provavelmente ficarei afastada do blog por aproximadamente tres semanas. Volto no dia 22, e terei entao apenas alguns dias pra colocar tudo em ordem por aqui antes de voltar de vez praih. Espero, nesse tempo, postar sobre os lugares que conhecerei nos proximos dias e mante-los atualizados sobre o dramalhao mexicano dos poucos dias que me restam em Dublin - ao menos por enquanto.


Um ate' logo ja' com saudades :) Prometo voltar cheia de ideias pra postar e tambem cheia de comentarios pra distribuir pelos blogs favoritos. Sentirei falta de acompanha-los, mas minha ausencia sera' curta.




Segunda, 17 de agosto
. Um pouco ansiosa demais, super medo dos ataques de ansiedade voltarem a me assombrar. Xoooo!


Terca, 18 de agosto
. Passei minha vaga aqui na agencia pra frente. Feliz por ter indicado uma pessoa em quem confio e sei que nao vai pisar na bola com o chefe tao querido :)
. Fui num restaurante sobre o qual estava curiosa ha' um bom tempo. Il Primo. Italiano, caro (ai, meu bolso!) e delicioso! Comi um risoto de pimentoes e ricota, com acompanhamento de uma taca de Chardonnay, so' pra nao perder o costume.


Quarta, 19 de agosto
. To ate' um pouco animada pra voltar... :)


Quinta, 20 de agosto
. Comprei meu mochilao \o/


Sexta, 21 de agosto
. Nenhum sentimento referente 'a volta. Adoro quando nao penso.


Sabado, 22 de agosto
. Idem ontem :)


Domingo, 23 de agosto
. Meu ultimo domingo no trabalho extra. Doeu, viu?! Ainda mais quando recebi flores e um cartao da minha gerente, em nome de toda a equipe. Pra voces que nao conhecem a minha gerente, quando o pessoal escuta o nome "Patrice Ryan" aqui, todo mundo ge-la. Ela e' durona, grossa quando quer, tem mudancas brucas de humor. Hoje te ve na rua e so' falta pular de alegrias, amanha nem abre a boca pra dar uma boa tarde. Mas no fundo, bem la' no fundo, ela e' gente boa. Acho que e' daquelas pessoas que tornaram-se amargas pela vida que tiveram e pelo stress que sofrem todos os dias, mas que ainda nao estao totalmente perdidas. Ainda conseguem demonstrar que sao legais, que sao como a gente, que tem um coracao e sentem coisas boas e nao somente falta de compreensao e paciencia com o pessoal que nao e' tao rapido, nao e' tao bom no ingles, nao da' tanto o sangue no trabalho. A Patrice merece um post especial, serio mesmo. Mas entao, ontem me aparece o motorista da rede com flores e um cartao de thank you que ela teve a ideia de mandar, por saber que era meu ultimo dia. Prometo fazer um post sobre meu trabalho la' e sobre a Patrice, pra voces terem uma nocaozinha de como isso foi significante pra mim.

. Tirei umas fotos com o Vikram, meu supervisor das Ilhas Mauricios [lugar que vai entrar pra minha Bucket List!] e o Yavuu, colega de trabalho da Mongolia. So' conheci gente bonissima no Donnybrook Fair e carregarei a memoria de cada um pra sempre comigo.

. Prometi uma noite de drinks quando voltar da viagem de despedida. Odeio dizer tchau, e essa foi uma maneira de dizer: "Calma, eu ainda nao vou de vez. Em setembro, quando voltar da minha viagem, tenho mais uns dias em Dublin e quero ver todos voces pra uma despedida decente".






Credito da Imagem.

Monday, August 17

Diario da Despedida - semana II

Mais uma segunda-feira. Esse tempo passa rapido demais!
Aqui vai mais uma 'edicao' do diario da despedida. Fico feliz por perceber que os pensamentos referentes 'a partida ficaram escassos ao passar dos dias.


Segunda, 10 de agosto
. Em alguns momentos pensei se seria interessante levar algumas coisas de decoracao pro Brasil. A loja de decoracao de interiores, Avoca, seria meu alvo principal. O site nao tem muito, mas a loja e' simplesmente divina.
. Encaixotei parte dos livros que pretendo levar. Ainda nao sei se mando via correio ou navio. Na mala nao vai dar!
. Me senti cansada o dia inteiro e me peguei pensando se isso nao e' indicio de querer aproveitar tudo o que puder, independente do tempo ou da energia que me sobram.
. Quanto menos faco, mais eu penso. Por isso minhas tardes sao geralmente angustiantes.
. Quando o povo pergunta: "E aih, animada pra voltar?" - Eu sei que e' normal e que significa que eles querem saber como a gente ta' e etc, questao de educacao e prova de amizade. Mas, gente, nao quero mais responder essa pergunta.


Terca, 11 de agosto
. Nenhum pensamento revelador hoje.
. Primeiro choro da serie veio 'a noite, pouco antes de dormir.


Quarta, 12 de agosto
. Sensibilidade 'a flor da pele.


Quinta, 13 de agosto
. To achando que ta' tudo dramatico demais e tento pensar que e' apenas uma nova fase, um recomeco, uma coisa normal pra tante gente que ja' morou fora do pais e conheceu pessoas, e se apegou, e se divertiu e aprendeu.


Sexta, 14 de agosto

. Fiquei em casa hoje, preferi nao ir trabalhar. To naquela fase de que e' melhor me ocupar de outras formas ao inves de sentar em frente a um computador durante a tarde, fingindo que tenho tarefas a cumprir. Delicioso ficar em casa, ter um tempinho pra mim mesma, pra ler, pra dormir depois do almoco, pra nao ter horario pra nada.
. Saimos 'a tarde pra comprar umas coisinhas que pretendemos levar daqui.


Sabado, 15 de agosto

. Fim de semana gostoso, sem dramas da minha parte, sem chororo, sem pensamentos nostalgicos, nem nada assim. Eba :)


Domingo, 16 de agosto
. La' no Donnybrook: "Jana, tu trabalha domingo que vem?" - "Aham" - "Ah, ta... entao fim de semana que vem eu te dou tchau".
Ahhhhhhhhhh :|

Monday, August 10

Diario da Despedida - semana I

Com esse papo todo de ir embora e a agua comecando a bater na bunda, decidi fazer anotacoes sobre meus sentimentos relacionados 'a despedida de Dublin e retorno ao sul do Brasil. Toda semana pretendo postar um update da semana anterior, com direito a ataques sem sentido, coracao apertado e as duvidas que assombram a gente quando alguma mudanca brusca esta' prestes a acontecer.


Como esse e' o primeiro post da serie, comecei apenas a notar meu comportamento anormal desde a ultima quinta-feira, 6 de agosto. Aqui vao os breves relatos dos ultimos quatro dias:


Quinta, 6 de agosto
. Comecei a pensar num album dedicado 'a Irlanda, como fotos desde o primeiro ano aqui, ate' a despedida.
. Pesquisei umas frases e uns textos de escritores depressivos e que sabem bem expressar os sentimentos, como Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector. Ja' colei alguns no Outlook pra citacoes posteriores.
. O sentimento bateu meio forte depois do almoco. Ja' comecei a pensar em quando levar a maquina fotografica pra registrar meus momentos com a Una [a velhinha que visito toda semana] e com o pessoal do trabalho.
. Comprei vinte cartoes de "Thank You", os quais pretendo enviar antes de voltar 'as pessoas que foram importantes pra mim durante esses mais de tres anos por aqui.


Sexta, 7 de agosto
. Quando vi, ja' estava a pesquisar musicas relacionadas 'a despedidas.
. Entreguei o curriculo de uma amiga como sugestao pra me substituir aqui na agencia.
. Vi que vai ter show da Lilly Allen aqui em dezembro e decidi nao olhar mais anuncio nenhum das atividades culturais. E' como tirar doce de crianca e isso doi!
. Tenho flashs de locais no Brasil pelos quais passava caminhando na ida ao trabalho, na volta do mercado, a caminho da faculdade. Essas ruas nao tem significado nenhum pra mim. Ainda e' um misterio o porque me veem 'a mente.


Sabado, 8 de agosto
. Fui numa festa de comemoracao do casamento civil gay do meu professor, Shane, com o Jose. Nao pude deixar de pensar se esse seria o ultimo encontro antes da minha partida.
. Fiquei ao mesmo tempo lisonjeada a triste quando algumas pessoas na festa comentaram sobre o meu sotaque irlandes, que adquiri nesses tres anos aqui. Como vai ser de volta no Brasil? Vou perder o sotaque? Esquecer o ingles?
. Percebi que tenho milhares de cremes hidratantes em casa. Ficou a sensacao de ter que usa-los todos antes de ir por dois motivos: a) nao quero ocupar minha mala com eles. Espaco e' luxo na volta definitiva; b) tambem nao quero me livrar deles. Resta-me, entao, me lambuzar 50 vezes ao dia.


Domingo, 9 de agosto
. Dei o aviso no Donnybrook, o lugar onde trabalho aos domingos, dizendo que so' tenho mais dois finais de semana por la'.
. E' dificil ver a expressao no rosto das pessoas quando voce diz que vai embora. Alguns olhares dizem que pensaram que voce nao iria nunca. Alguns expressam a falta que vao sentir de voce, enquanto outros nao acreditam pois sabem o quanto voce gosta de morar em Dublin.
. Levei a maquina fotografica pra registrar alguns momentos.
. Doeu escutar da Isa: "Olha, fim de semana que vem eu to de folga, entao capaz da gente nao se ver. Nao vai embora sem dar tchau, hein?"
. Separei algumas roupas que deixarei por aqui.
. Ja' senti saudades de algumas pessoas.



Segunda-feira que vem posto sobre as loucuras dessa semana. Espero menos drama e mais diversao, menos sofrimento antecipado e mais sensacao de ter que curtir ate' nao poder mais :)








Credito da Imagem.

Thursday, June 18

Ah, a inocencia...

Sinto que ontem a ficha comecou a cair. Em outubro irei embora e meu coracao aperta um pouquinho mais toda vez que releio esta frase. Me chamem de drama-queen, de exagerada, de anti-patriota. Me chamem do que for, mas saibam que nao e' nada disso. E' que... criei uma coisa por Dublin que nao se explica direito. Vi aqui um outro mundo. Nao perfeito, nao ha' perfeicao em lugar algum. Ha' sempre uma falha, algo que poderia ser diferente, a falta de alguem que faz a saudade apertar. Mas vivi aqui uma coisa inexplicavel. Sinto paixao tamanha por esse lugar, coisa que jamais senti em localidade alguma. A vontade agora e' de fazer tudo o que ainda nao fiz - ainda que saiba que e' impossivel querer o todo.


Sempre tive medo da mudanca brusca na minha rotina. Meu medo e' esse. Nao e' da saudade, que sentirei pra sempre. E' o medo da readaptacao. Nao quero fazer do meu pais um bicho de sete cabecas. Nao quero transformar o clima quente em temperatura insuportavel, nem o fato da violencia estar presente em receio constante, ate' quando saio pra comprar um pao na padaria da esquina. Tambem nao quero reclamar de salario, sem tocar no assunto da corrupcao. Por um lado, perdi as esperancas em alguns topicos brasileiros. Mas ah, sabe o que eu quero? Unir os dois. Eu seeeei que e' impossivel e sei que a gente nao pode querer tudo. Sabe aquela historia de quando dao a mao, queremos o braco? Eu nao sou assim, mas dessa vez quero tudo. Nao e' errado. Acho.


Quero pra mim, pros meus filhos e pras pessoas queridas, um mundinho perfeito. Gostaria muito que a ideia da perfeicao pra cada um de nos nao fosse apenas um pensamento que visita nossa mente vez ou outra. Gostaria muito poder te oferecer uma casinha na beira da praia, sem alarme e sem tranca na porta. Ah, e uns vizinhos divertidos - mas pacificos e que te deixassem dormir a noite, apos uma tarde regada a canto e violao e conversas variadas. Queria tambem poder criar uma cidade cosmopolita, com opcoes de lazer pra todos os gostos, mas sem a poluicao visual e o barulho todo gerado pelos meios de transporte. Gostaria apenas de ouvir berros de alegria, lagrimas de satisfacao, entradas em salas de emergencia devidas somente ao nascimento de um filho, um neto, a filha de um amigo. E que a gente pudesse se vestir como bem entender, sem a opcao de roupas de marca, status ou julgamentos alheios. Gostaria que os membros da mesma familia sempre jantassem juntos e comentassem o dia que passou, e que as criancas nao fossem tao mimadas, e que nao tivessemos que nos preocupar com o futuro dos nossos filhos devido 'a falta de agua, violencia, corrupcao, saude e educacao.


Por que voce [ainda] nao recicla? Por que nao tenta ver a vida um pouquinho mais colorida? Por que queremos tanto e, ao mesmo tempo, tao pouco? Chega de coisas materiais, da busca por popularidade no colegio, da competicao por notas maiores, da cobranca por um filho perfeito. Que tal irmos mais ao teatro ao inves de gastar o dinheiro com coisas mesquinhas? Que tal apreciarmos as coisas que ja' conquistamos, os show ao ar livre, os livros nas prateleiras?


Apos ter vivido por aqui, vejo o quanto eu dou valor 'as pequenas coisas. Quero carregar isso comigo e nao deixar que o clima que nao considero ideal me deixe nervosa [sim, eu prefiro o inverno!]. Mas que se cuidem os que me olharem de cima a baixo devido 'as roupas que escolhi vestir naquele dia ou o nojento que me cantar na rua. E ai de quem olhar torto porque gastei dinheiro numa atividade que me fez bem ao inves de economizar pro futuro incerto.


Sim, eu quero tudo. E sei que e' pedir muito. Mas ah, da' um desconto. Eu to voltando, mudando a minha rotina e, querendo ou nao, deixando algumas coisas muito valiosas por aqui. Coisas as quais me fizeram feliz, oportunidades que jamais esquecerei e pessoas que tornaram-se mais do que os mais-mais das bandas dai'. Da' um desconto, vai? Ja' ja' eu chego e estou feliz por querer tentar me adaptar novamente em terras brasileiras. Vou com a cabeca erguida e o coracao cheio de esperanca, o corpo cheio de vontade, a mente cheia de ideias. Mas nao espere que eu chegue com o coracao tranquilo.


Como sempre, di-vi-di-da.







Credito da Imagem.

Saturday, November 8

Palavras timidas

Faltam-me palavras.

Faltam-me palavras para expressar tantas coisas!
Como quando somos vitimas de uma surpresa bem planejada.


Faltam-me palavras para descrever, para expressar um sentimento, para dar conselhos as vezes.

Faltam-me para demonstrar minha indignacao quanto `a violencia de todo tipo e contra quaisquer seres. Quanto `a banalizacao das mortes por envolvimento com o trafico de drogas, quanto aos sequestros, aos estupros, ao bullying, ao racismo e `a pobreza e diferencas sociais.

Faltam-me palavras para expressar o quanto acho futil aqueles que se individam pagando mais por uma etiqueta, so' por estampar Diesel, Armani, Gucci. Sobram indignacoes quando o assunto e' corrupcao, propina e o famoso "jeitinho" de burlar a lei. Sobram indignacoes, tambem, aos que dirigem bebados, gritam por nao saberem conversar de forma inteligente, pensam que tem o rei na barriga - muitas vezes porque, desde criancas, escutaram dos pais coisas que nao deveriam. Falsas verdades... verdadeiras mentiras.

Por outro lado, faltam-me palavras tambem para expressar meu amor e consideracao por algumas pessoas. Para demonstrar o quanto sao importantes e essenciais na minha vida. Mesmo as que ja foram. Mesmo as que nao dao mais noticias. Mesmo as amizades que pareciam eternas e hoje... ja nao o sao.

A crianca que ri sem parar. Um arco-iris. Filhotes, cartas inusitadas, livros bem escritos, noticias boas nos jornais. Oportunidades, novas perspectivas, mulheres que recem deram `a luz um filho. Um novo aprendizado, a percepcao de que amadurecemos, de que conseguimos passar por uma fase ruim, as pessoas que venceram o cancer.

Faltam-me palavras para expressar tanto e, ao mesmo tempo, tao pouco. Sao simples os sentimentos. O complicado e' conseguir expressa-los exatamente da maneira que sentimos. Nao sei se voce, por exemplo, sente como eu. Talvez nao. Penso que os sentimentos sao os mesmos. Ou melhor... as acoes que causam os sentimentos sao as mesmas. Mas o modo como cada um recebe essa energia, o modo que cada uma reage, pode ser completa e infinitamente diferente.



Credito da imagem: Instantane.
 
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