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Monday, August 10

Diario da Despedida - semana I

Com esse papo todo de ir embora e a agua comecando a bater na bunda, decidi fazer anotacoes sobre meus sentimentos relacionados 'a despedida de Dublin e retorno ao sul do Brasil. Toda semana pretendo postar um update da semana anterior, com direito a ataques sem sentido, coracao apertado e as duvidas que assombram a gente quando alguma mudanca brusca esta' prestes a acontecer.


Como esse e' o primeiro post da serie, comecei apenas a notar meu comportamento anormal desde a ultima quinta-feira, 6 de agosto. Aqui vao os breves relatos dos ultimos quatro dias:


Quinta, 6 de agosto
. Comecei a pensar num album dedicado 'a Irlanda, como fotos desde o primeiro ano aqui, ate' a despedida.
. Pesquisei umas frases e uns textos de escritores depressivos e que sabem bem expressar os sentimentos, como Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector. Ja' colei alguns no Outlook pra citacoes posteriores.
. O sentimento bateu meio forte depois do almoco. Ja' comecei a pensar em quando levar a maquina fotografica pra registrar meus momentos com a Una [a velhinha que visito toda semana] e com o pessoal do trabalho.
. Comprei vinte cartoes de "Thank You", os quais pretendo enviar antes de voltar 'as pessoas que foram importantes pra mim durante esses mais de tres anos por aqui.


Sexta, 7 de agosto
. Quando vi, ja' estava a pesquisar musicas relacionadas 'a despedidas.
. Entreguei o curriculo de uma amiga como sugestao pra me substituir aqui na agencia.
. Vi que vai ter show da Lilly Allen aqui em dezembro e decidi nao olhar mais anuncio nenhum das atividades culturais. E' como tirar doce de crianca e isso doi!
. Tenho flashs de locais no Brasil pelos quais passava caminhando na ida ao trabalho, na volta do mercado, a caminho da faculdade. Essas ruas nao tem significado nenhum pra mim. Ainda e' um misterio o porque me veem 'a mente.


Sabado, 8 de agosto
. Fui numa festa de comemoracao do casamento civil gay do meu professor, Shane, com o Jose. Nao pude deixar de pensar se esse seria o ultimo encontro antes da minha partida.
. Fiquei ao mesmo tempo lisonjeada a triste quando algumas pessoas na festa comentaram sobre o meu sotaque irlandes, que adquiri nesses tres anos aqui. Como vai ser de volta no Brasil? Vou perder o sotaque? Esquecer o ingles?
. Percebi que tenho milhares de cremes hidratantes em casa. Ficou a sensacao de ter que usa-los todos antes de ir por dois motivos: a) nao quero ocupar minha mala com eles. Espaco e' luxo na volta definitiva; b) tambem nao quero me livrar deles. Resta-me, entao, me lambuzar 50 vezes ao dia.


Domingo, 9 de agosto
. Dei o aviso no Donnybrook, o lugar onde trabalho aos domingos, dizendo que so' tenho mais dois finais de semana por la'.
. E' dificil ver a expressao no rosto das pessoas quando voce diz que vai embora. Alguns olhares dizem que pensaram que voce nao iria nunca. Alguns expressam a falta que vao sentir de voce, enquanto outros nao acreditam pois sabem o quanto voce gosta de morar em Dublin.
. Levei a maquina fotografica pra registrar alguns momentos.
. Doeu escutar da Isa: "Olha, fim de semana que vem eu to de folga, entao capaz da gente nao se ver. Nao vai embora sem dar tchau, hein?"
. Separei algumas roupas que deixarei por aqui.
. Ja' senti saudades de algumas pessoas.



Segunda-feira que vem posto sobre as loucuras dessa semana. Espero menos drama e mais diversao, menos sofrimento antecipado e mais sensacao de ter que curtir ate' nao poder mais :)








Credito da Imagem.

Thursday, January 29

O le-re le-re aqui

Entao... em abril faz tres anos que estou por aqui e acredito ja estar na hora de comentar um pouco sobre os meus empregos ate entao. Ate o final do ano passado tudo era mais ou menos estavel.

Na minha primeira semana na Irlanda, consegui um emprego num lugar chamado Donnybrook Fair. E' uma loja de conveniencia, mas diferente das que temos no Brasil. La, pode-se encontrar sanduiches feitos na hora ou embalados no dia, cafe e cha' to go, sopa em horario de almoco, porridge no cafe da manha e todos os outros produtos que usamos no dia-a-dia. Como se fosse um mini-mercado de elite, com saladas preparadas no dia, pratos em embalagens que podem ser usadas em fornos ou microondas, frutas, carnes e vegetais que devem estar perfeitos o tempo inteiro.

Comecei la como caixa e la estou ate hoje. A diferenca e' que meu emprego full-time por la' durou uma semana. Depois logo arrumei um trabalho numa agencia de publicidade, onde trabalhei como secretaria e recepcionista por dois anos e meio e so' mesmo sai' porque o local fechou em agosto de 2008. A partir de entao, ficava durante a semana na agencia e, nos finais de semana, no Donnybrook Fair.

Meus primeiros seis meses de Irlanda nao tiveram dias de folga. Trabalhei de domingo 'a domingo e sempre gostei muito dos dois lugares onde trabalhava. A visita dos meus pais e da minha irma em outubro de 2006 me fizeram desistir dos meus finais de semana de trabalho e manter apenas o emprego da agencia [que se chamava Grey Helme e Mediacom].

De tao acostumada a estar ocupada o tempo inteiro, confesso que foi dificil me acostumar com os finais de semana livres. Eu nao paro em casa. E nao parar em casa, especialmente aos sabados e domingos, e' sinonimo de gasto de dinheiro [quase nunca investimento... quase sempre desperdicio]. Foi entao que, em abril do ano passado, recomecei no Donnybrook, mas dessa vez, apenas aos domingos. Assim tenho ainda os sabados para bater perna, dormir ate mais tarde e sair com os amigos.

Como havia comentado antes, em agosto a Grey Helme fechou as portas. Nao apenas para mim, mas pra todo mundo. Era o inicio da recessao, da crise economica, que hoje afeta o mundo inteiro de forma mais intensa e deixa os irlandeses [e todos os que moram por aqui] de cabelo em pe'. A agencia fechou no ultimo dia de agosto e, no primeiro dia util de setembro, ja comecei a trabalhar numa outra agencia publicitaria, a Mindshare & DDFH&B. La' fiquei de setembro a dezembro do ano passado e so' sai' mesmo por ja ter marcado a viagem ao Brasil, que duraria um mes. Na minha visao, era injusto viajar por rinta dias, apos apenas tres meses empregada. Ainda mais por estar cobrindo licenca maternidade da Louise.

Uma coisa e' certa em meus empregos por aqui: eu sempre calho de arrumar aqueles em que, se a gente precisa faltar, e' um problemao, porque nao tem mais ninguem executando a mesma funcao. Na Mindshare eu trabalhava no setor financeiro, mais precisamente coletando anuncios dos clientes da agencia em jornais e revistas locais. O trabalho era um pouco estressante, mas todo mundo la' me tratava muito bem e me apertou o coracao virar um dia e dizer ao Michael O'Reilly que eu teria de abandonar o posto devido a ferias.

Uma semana apos minha volta do Brasil, comecei no Donnybrook Fair [aquele lugar onde trabalho de caixa aos domingos]. Mas dessa vez comecei na recepcao da matriz. La' faco muito mais do que atender telefone e receber clientes. Sou assistente pessoal do Joe Doyle [o dono da rede] e minha primeira semana la' me fez perder todos os fios de cabelo. Agora, na minha segunda semana, comeco a me acostumar melhor com o jeito das pessoas e tambem as atividades. Ate que gosto. Principalmente pela correria o tempo todo. Tambem auxilio na parte de assessoria de imprensa, mas isso e' apenas um comeco. Nao tenho ideia de como vai ser daqui pra frente. Aos domingos, continuo de caixa numa das filiais, pertinho de casa.

Sempre gostei das oportunidades que tive por aqui e realmente me sinto privilegiada por conseguir empregos em locais bacanas, com pessoas legais e prestativas. A unica coisa que pega no meu calo e' o fato de, mesmo apos muito tentar, nao conseguir ingressar da area jornalistica irlandesa.

Ja tive algumas materias publicadas em jornais locais e a experiencia sempre vale a pena. Mas nao e' o mesmo que estar em contato com esse povo louco diariamente, escrever diariamente, entrevistar pessoas diferentes a cada materia e nunca ter uma rotina previsivel. Sinto falta disso.

Sinto falta de postar mais frequentemente por aqui, agora que nao tenho mordomia no emprego. O controle em relacao ao uso da Internet e celular por la e' tao grande, que prefiro nao me arriscar [especialmente nao apos o puxao de orelha que levei de uma gerente]. Entao agora mantenho-me ocupada com nada mais que coisas relacionadas ao trabalho e confesso que, muitas vezes quando chego em casa, a preguica e' tao grande que nao me deixa ligar o computador para manter o blog atualizado.

Aproveito o ensejo [e impressiono-me com o tamanho deste post!] para deixar aqui registrado que voltarei em breve para contar mais sobre meus trabalhos voluntarios e sobre os planos para os proximos meses. Tem coisa pra caramba pra contar. Preciso apenas me concentrar e ter vergonha na cara. O blog iniciou quando vim pra ca e nao quero deixar nenhum detalhe escapar em relacao a minha experiencia na terra fria. Por isso, talvez, alguns dos posts nao mostrem-se tao interessantes a maioria dos que me visitam, mas para mim sao muito importantes e marcantes. E serao mais ainda quando, daqui alguns anos, eu voltar a este endereco e resolver dar espaco a nostalgia e relembrar todos esses detalhes que, provavelmente, logo esquecerei.

Sunday, August 31

Leinster Rugby

A primeira semana num emprego novo e' sempre parecida. Como nao sei se terei chances de ler e responder emails, ou atualizar o blog, abri uma excecao e vim aqui pra contar rapidamente como foi assistir meu primeiro jogo de rugby ao-vivo.

A partida Leinster Rugby x Queenslands Reds foi divertidissima. Nao apenas pelas pessoas que me acompanharam - algumas delas mais de olho no preparador fisico do time de Dublin do que no jogo em si -, mas tambem pela vitoria dos irlandeses: 39 a 19 sobre a time australiano.

Os meninos nao sao taaaoooo gigantes como parecem na televisao. Com excecao de alguns que, alem de altos, devem ter entrado pra academia aos quatro anos de idade. Uns com faixas sobre a orelha, outros com machucados na perna, sem falar nos ematomas que devem ter espalhados pelo corpo inteiro.

Adorei, quero mais. Quem sabe agora um do Munster, pra ver o Ronan O'Gara de perto. Quem sabe o Six Nations ano que vem. Quem sabe no mesmo estadio de ontem, o Donnybrook Stadium. O que me atrai nao e' nem mesmo numa outra vitoria, mas a oportunidade de fazer parte da torcida azul e verde, comemorar junto e tentar entender um pouco melhor as regras do jogo.

 
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